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Diadema

Denúncias apontam invasões e agressões atribuídas a agentes da GCM em Diadema

Moradores da Comunidade Naval relatam abordagens violentas e destruição de comércio; Prefeitura não respondeu até a publicação.

Moradores de Diadema denunciam agressões e ameaças de agentes da GCM. Cedido ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
11 de setembro de 202620:24
Atualizado agora há pouco às 23:24

Moradores da Comunidade Naval, em Diadema, na Grande São Paulo, procuraram a imprensa para relatar uma série de abusos que teriam sido praticados por integrantes da Guarda Civil Municipal (GCM) na quarta-feira (9/9). Segundo os relatos, os agentes teriam entrado em residências sem autorização judicial, agredido pessoas e feito ameaças. As cenas das abordagens circularam em redes sociais.

Um morador que preferiu não se identificar contou ter acompanhado uma das ações. De acordo com ele, os guardas invadiram a casa de um vizinho e o agrediram. O entrevistado afirmou ainda que os agentes passaram a abordar quem estava na comunidade mesmo sem encontrar entorpecentes ou situação de flagrante. «Eles chegam, não acham o tráfico, não acham a droga, não acham nada. O que eles fazem? Pegam quem está dentro do condomínio, como se a pessoa estivesse coerente com a situação do tráfico», declarou.

Outro morador, que voltava do trabalho, teria sido agredido ao tentar interferir em uma das abordagens. Conforme o relato, ele levou um soco no rosto e foi ameaçado com uma arma. Um dos moradores ficou com hematomas pelo corpo após a ação.

As denúncias mencionam ainda invasões a imóveis sem mandado judicial, entre eles a casa de uma mãe de duas crianças autistas, e a depredação de um bar da comunidade. O dono do estabelecimento também teria sido agredido. Os relatos indicam que os agentes ameaçavam quem não deixasse o local. «Os caras vieram aqui num bar, quebraram o bar todinho, bateram no dono do bar e falaram que, se saísse na net ou se denunciasse, eles iam matar a família», contou um dos entrevistados.

A reportagem procurou a Prefeitura de Diadema para obter posicionamento sobre as acusações, mas não houve resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações. A administração municipal não confirmou nem comentou as denúncias até o momento.

A Favela Naval, em Diadema, ficou marcada por um dos episódios mais conhecidos de violência policial no país. Em março de 1997, imagens gravadas por um cinegrafista amador e exibidas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, mostraram policiais militares abordando moradores e motoristas na região. Na ocasião, agentes agrediram e extorquiram pessoas, além de efetuarem disparos. O serralheiro Mário José Josino, que passava pelo local, foi baleado e morreu.

O caso de 1997 teve ampla repercussão e levou a mudanças na forma como as corporações lidam com a população. Ainda assim, episódios recentes em comunidades da região metropolitana de São Paulo seguem gerando denúncias e pedidos de apuração por parte de moradores e entidades de direitos humanos.

Até o momento, não há informação sobre a abertura de investigação formal a respeito das novas denúncias. Moradores pedem que as autoridades apurem os fatos e responsabilizem os envolvidos.

A reportagem segue tentando contato com os órgãos competentes para obter mais detalhes sobre o caso e eventuais providências. Novas informações serão acrescentadas assim que houver retorno.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/moradores-de-diadema-denunciam-agressoes-e-ameacas-de-agentes-da-gcm

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