Os bombeiros concluíram as buscas por vítimas do desabamento de um prédio em obras na Penha, zona leste de São Paulo, após localizarem o corpo de uma menina de 7 anos no início da tarde deste domingo (13). Com isso, o número de mortos na ocorrência chegou a seis. Duas pessoas sobreviveram e não há mais desaparecidos.
O desabamento aconteceu na madrugada de sábado (12), na Rua Tequici, nº 61. Segundo as autoridades, o local agora ficará sob responsabilidade das demais equipes envolvidas, para a continuidade dos trabalhos periciais e das medidas cabíveis.
No sábado, o pai de uma menina de 5 anos resgatada com vida e de outra criança, encontrada sem vida apenas no dia seguinte, esteve no local do desabamento. Ele também é familiar das demais vítimas, todas de uma família de origem boliviana. Durante o acompanhamento dos trabalhos, Herbert Chino cobrou responsabilidade: «Alguém tem que responder por isso».
As obras do prédio eram realizadas pela construtora New Home. O advogado da empresa, Alexandre Sampi, afirmou que a construção está em situação regular e possuía alvará. De acordo com ele, o imóvel chegou a ser embargado, mas o embargo teria sido cassado. Sampi disse ainda que a construtora presta «todo o apoio possível» às vítimas e que somente um laudo técnico poderá determinar as causas do desabamento.
Uma servidora da Prefeitura de São Paulo deve ser afastada do cargo por pelo menos 30 dias. A medida foi anunciada após ela ter atestado que a construção existente no terreno onde o prédio desabou havia sido demolida. O problema, segundo o procurador-geral do município, Daniel Falcão, é que a demolição não foi realizada.
Segundo Falcão, o afastamento é necessário para que a Controladoria-Geral do Município possa investigar como o documento foi emitido e qual foi a atuação da servidora no processo. «Vai haver uma determinação minha de afastamento dessa servidora que deu esse ateste por pelo menos 30 dias para ajudar na investigação. Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna», afirmou.
De acordo com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o caso envolve um documento assinado em fevereiro de 2024 por uma funcionária da Subprefeitura da Penha. No texto, ela afirmou que a demolição havia sido «efetuada em sua integralidade» e que uma nova edificação estava em andamento no local.
O procurador-geral afirmou ainda que o próprio advogado da construtora esteve no local e constatou que a estrutura não havia sido demolida. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias do desabamento e a emissão do documento.
A Prefeitura de São Paulo informou que o afastamento da servidora tem caráter investigativo e não representa conclusão sobre responsabilidades. O caso segue em apuração pelos órgãos competentes, que devem analisar documentos e laudos técnicos.
Moradores e familiares das vítimas aguardam respostas sobre as causas da ocorrência e sobre as condições da obra. A construtora afirmou que colabora com as autoridades e que um laudo técnico é aguardado para esclarecer o que provocou o desabamento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/bombeiros-resgatam-crianca-desabamento-2

