As chuvas intensas que atingiram o estado de São Paulo nos últimos três dias provocaram novos alagamentos no Jardim Pantanal, bairro da zona leste da capital paulista situado na várzea do Rio Tietê. O episódio reacendeu a lembrança de uma das crises mais delicadas enfrentadas pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) neste mandato.
Em 2025, o bairro chegou a ficar vários dias debaixo d'água. Moradores tiveram de deixar suas casas, ruas foram tomadas pela enchente e a população improvisou embarcações para circular pela região. A situação colocou sob pressão tanto o governo estadual, responsável pelo Rio Tietê, quanto a Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), aliado de Tarcísio.
Quando a inundação completou cinco dias, o prefeito e o governador concederam uma entrevista coletiva. Na ocasião, afirmaram que não era possível definir um prazo para resolver de forma definitiva o problema das cheias no bairro, historicamente afetado quando o rio sobe.
«Existe uma complexidade, vamos tentar construir a melhor solução de engenharia com todo senso de urgência que é necessário. […] Qual é o prazo? Eu não sei», declarou Tarcísio a jornalistas em 4 de fevereiro de 2025. Em entrevistas, moradores diziam se sentir abandonados e cobravam respostas das autoridades.
O tema também chegou à Câmara de Vereadores de São Paulo, onde uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi proposta para investigar as enchentes. Segundo relatos, os dois chefes do Executivo teriam atuado para impedir a instalação da comissão, mas, após decisão judicial, a CPI acabou sendo criada.
Em maio de 2025, prefeito e governador anunciaram em conjunto um projeto para a região. A proposta previa a remoção de 4,3 mil imóveis e a construção de uma barreira próxima ao rio para evitar nova ocupação da área, além de obras de micro e macrodrenagem para melhorar o escoamento da água. O custo estimado foi de R$ 700 milhões, com investimentos divididos entre o município e o estado.
Passado cerca de um ano e meio desde os episódios mais graves, os alagamentos voltaram a ocorrer no bairro, desta vez durante o período de campanha eleitoral. Vídeos gravados por moradores circularam nas redes sociais e reacenderam o debate sobre a eficácia das medidas anunciadas.
As gestões municipal e estadual afirmam que realizam ações de zeladoria, desassoreamento e obras de contenção no Rio Tietê. Ainda não há confirmação oficial sobre o impacto das chuvas recentes nas obras em andamento nem sobre eventuais danos materiais registrados no bairro.
O Jardim Pantanal fica em uma área de várzea, o que o torna especialmente vulnerável a cheias do Tietê. Especialistas apontam que soluções definitivas dependem de intervenções estruturais de drenagem e da retirada de ocupações em áreas de risco, medidas que costumam exigir prazos longos e investimentos elevados.
A reportagem procurou as gestões estadual e municipal para atualizar informações sobre as obras e os alagamentos mais recentes. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/alagamento-jardim-pantanal-relembra-crise-gestao-tarcisio

