A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 registra o menor número de candidatos do século, mas também a maior diversidade racial e de gênero entre os concorrentes ao Palácio dos Bandeirantes. Levantamento do Metrópoles, com base nas autodeclarações raciais desde 2002, mostra que três dos sete candidatos são pretos ou pardos, o equivalente a 42,9% do total.
É a maior proporção de candidatos pretos ou pardos desde 2002, quando começou a série analisada. Os outros quatro concorrentes se declaram brancos, divididos igualmente entre dois homens e duas mulheres.
Entre os candidatos pretos ou pardos estão um homem pardo (Carlos Machado, do PCB), uma mulher parda (Izadora Dias, do PCO) e uma mulher preta (Vera Lúcia, do PSTU). Já os brancos são dois homens (Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e Fernando Haddad, do PT) e duas mulheres (Vivian Mendes, da UP, e Policial Edjane, do Agir).
A mudança fica mais clara na comparação com pleitos anteriores. Até 2018, nenhuma eleição ao governo paulista neste século havia reunido mais de dois candidatos pretos ou pardos. Em 2002, 2006 e 2010, todos os concorrentes eram brancos.
Em 2014, dos nove candidatos, sete eram homens brancos, um era homem pardo e outro, homem preto. Quatro anos depois, em 2018, a disputa teve 13 candidatos: nove homens brancos, duas mulheres brancas, um homem pardo e um homem preto. Em 2022, os dez registrados apareciam como brancos nas autodeclarações consideradas.
A eleição de 2026 também marca a primeira vez no século em que as mulheres são maioria na disputa pelo governo paulista, com quatro dos sete nomes (57,1%). Duas são brancas, uma é parda e uma é preta. Os outros três candidatos são homens, sendo dois brancos e um pardo.
Segundo o levantamento, é a primeira vez neste século que há mulheres pretas ou pardas concorrendo ao Palácio dos Bandeirantes. O recorde feminino contrasta com o histórico: em 2002, 2006 e 2010, havia apenas uma mulher branca em cada eleição (a mesma pessoa nos três casos, Anaí Caproni). Em 2014, nenhuma mulher disputou o governo paulista.
Em 2018, foram duas candidatas, ambas brancas, e, em 2022, uma mulher branca. Assim, 2026 é a primeira eleição paulista do século em que as mulheres são maioria entre os candidatos ao governo, reforçando a diversidade de gênero e racial do pleito.
O levantamento considera as autodeclarações raciais dos candidatos nas sete eleições estaduais realizadas desde 2002, período que abrange diferentes configurações partidárias e perfis de candidaturas.
Independentemente de quem ocupar o Palácio dos Bandeirantes a partir de 2027, a eleição de 2026 já representa um marco dentro da pauta de diversidade, combinando o menor número de candidatos com a maior variedade racial e de gênero do século.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/com-menos-candidatos-sp-tem-eleicao-ao-governo-mais-diversa-do-seculo

