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São Paulo

Estudo revela mudança no padrão de chuvas e menor entrada de água no Sistema Cantareira

Levantamento aponta que 68% dos meses tiveram chuvas abaixo da média histórica e 91% registraram vazão natural inferior à média desde 2010.

Imagem mostra Estação de Tratamento de Água do Guaraú, parte do Sistema CantareiraFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
14 de setembro de 202603:17
Atualizado agora há pouco às 06:17

Uma análise do portal Metrópoles, com base em dados de boletins diários dos mananciais, indica que o Sistema Cantareira passou por alterações significativas em seu regime hidrológico nos últimos 15 anos. Entre outubro de 2010 e setembro de 2025, 68% dos meses apresentaram chuvas abaixo da média histórica, enquanto 91% registraram vazão natural inferior à média para o período.

O levantamento considerou 191 meses e utilizou as informações do último dia de cada mês. O ano hidrológico, que começa em outubro e termina em setembro, foi a base para a comparação. Segundo a análise, as médias históricas também foram recalculadas ao longo do tempo, e houve redução tanto nos volumes de chuva quanto nas vazões naturais em quase todos os meses, com exceção de junho, que apresentou queda apenas na vazão.

A diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, afirma que as projeções do órgão já incorporam cenários com 60%, 70% e 80% da média histórica. «As nossas projeções, inclusive da curva de contingência, já consideram um parâmetro de 60%, 70%, 80% da média histórica, que é o que a gente tem visto», declarou. Para ela, as séries históricas não são mais estacionárias diante das mudanças climáticas. «O comportamento do passado não é mais representativo do futuro. A gente não sabe o que esperar», completou.

Além da pluviometria abaixo da média, as temperaturas mais elevadas têm contribuído para deixar os solos mais secos, o que compromete a umidade e a recuperação da vazão natural. «O que deixa os solos mais secos, compromete a umidade e a recuperação da vazão natural, que também está abaixo da média», explicou Camila Viana.

Outro fator apontado como preocupante é a mudança no perfil das chuvas. Eventos intensos e de curta duração, mais frequentes recentemente, têm menor capacidade de recarregar os reservatórios. «Precisa cair um pouco mais devagar, ao longo de um período maior. Isso favorece a infiltração no solo. Com o solo muito seco e chuva rápida, ele não consegue absorver e o manancial não se recupera», afirmou a diretora-presidente da SP Águas.

O Sistema Cantareira é um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo. A variação no volume de entrada de água ao longo dos anos acende um alerta para a segurança hídrica da região, que depende de chuvas regulares para manter os níveis dos reservatórios.

Órgãos como a SP Águas e a Sabesp destacam a realização de obras estruturais e o monitoramento contínuo como medidas para mitigar os efeitos da redução das chuvas e garantir o abastecimento. A análise reforça a necessidade de adaptação a um cenário de maior incerteza e de planejamento de longo prazo para a gestão dos recursos hídricos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cantareira-padrao-de-chuvas-evapora-e-entrada-de-agua-muda-em-15-anos

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