O candidato à Assembleia Legislativa de São Paulo Carlo Cauti, do Partido Novo, contratou um dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 para atuar na produção e distribuição de materiais de sua campanha eleitoral. A informação foi confirmada pelo próprio candidato em entrevista ao portal Metrópoles.
Conhecido pelo apelido de 007 do Novo, Cauti afirmou que a decisão de contratar o homem teve como objetivo enviar um sinal claro contra as condenações relacionadas aos protestos em Brasília. Segundo ele, a medida também atende a uma necessidade humanitária do contratado, que enfrenta dificuldades financeiras.
De acordo com o candidato, o contratado vive na Argentina e deixou o Brasil após a participação nos atos de 8 de janeiro. Cauti declarou que esteve no país vizinho nos últimos três anos e acompanhou as condições de vida de brasileiros que migraram. Para ele, a maioria dessas pessoas não representa risco à democracia.
O homem contratado cumpre prisão domiciliar desde abril de 2023, com uso de tornozeleira eletrônica. Entre as restrições impostas pela Justiça estão a proibição de utilizar redes sociais, conceder entrevistas, manter contato com outros investigados e receber visitas não autorizadas.
Cauti criticou a forma como o processo que resultou nas condenações dos envolvidos nos atos foi conduzido. Segundo o candidato, a contratação representa uma questão de justiça. Ele afirmou que o contratado trabalhava como guia turístico para estrangeiros e tinha uma vida normal antes das condenações.
«Fiquei com pena, de fato, com dó e decidi contratá-lo, porque francamente é até uma questão de justiça, né? Eu acho absurdo o jeito que esse processo foi conduzido», declarou Cauti ao Metrópoles. «Ele trabalhava como guia turístico para estrangeiros, tinha uma vida normal e hoje não consegue comprar um pão», completou.
A contratação ocorre em meio ao período eleitoral, quando candidatos buscam se diferenciar e atrair apoio. A decisão de Cauti de empregar um envolvido nos atos de 8 de janeiro pode gerar debates sobre os limites entre posicionamento político e responsabilidade legal durante a campanha.
O Partido Novo ainda não se manifestou oficialmente sobre a contratação. Procurada, a legenda não havia respondido até a publicação desta reportagem. O candidato mantém a defesa de que a medida é humanitária e crítica à condução do processo judicial.
O caso envolve um candidato que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo e um contratado que cumpre pena em regime domiciliar. A situação deve repercutir entre eleitores e adversários ao longo da campanha.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/candidato-a-deputado-estadual-contratou-preso-no-8-de-janeiro-para-campanha

