A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (17/9) a Operação Eredità, que investiga uma estrutura criminosa com ligações com a máfia italiana e suspeita de enviar cocaína do Brasil para a Europa. Um dos alvos de prisão preventiva é um advogado apontado como responsável pela comunicação e pela movimentação financeira do grupo em território nacional.
De acordo com o delegado Eduardo Verza, o advogado atuava na transmissão de recados entre integrantes da máfia italiana e criminosos brasileiros, utilizando inclusive prerrogativas da advocacia. Posteriormente, segundo a PF, ele passou a desempenhar um novo papel na organização, atuando diretamente no repasse da droga para o exterior e na movimentação de recursos.
A operação cumpre sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, São Caetano do Sul, Santos e Americana, no interior paulista, além de Palhoça, em Santa Catarina. As medidas foram autorizadas pela Justiça e são cumpridas por equipes da Polícia Federal.
A investigação atual é um desdobramento de apurações realizadas entre 2024 e 2025. Segundo a PF, familiares de integrantes da máfia italiana e antigos associados presos no Brasil teriam assumido os negócios e mantido a estrutura de tráfico internacional, dando continuidade às operações.
O grupo teria preservado fornecedores, operadores financeiros e rotas já estabelecidas, com destaque para o Porto de Paranaguá, no Paraná. Pelo menos 11 apreensões feitas por policiais federais entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína, estariam relacionadas à estrutura criminosa. Os carregamentos tinham como destino países como Itália, Bélgica, Holanda, França e Portugal.
Além do tráfico, a PF identificou a existência de uma estrutura financeira criada para movimentar e ocultar os lucros obtidos na Europa. Essa engrenagem envolveria empresas de fachada, imóveis, operadores financeiros e sistemas clandestinos de transferência e compensação internacional, segundo os investigadores.
As apurações também apontaram o uso de plataformas criptografadas e mecanismos de contrainteligência por parte do grupo. O cruzamento de mensagens, registros financeiros, imagens de carregamentos e informações sobre contêineres permitiu à PF reconstruir parte da atuação da organização criminosa.
O advogado preso também é suspeito de repassar recados de dois mafiosos que foram detidos no âmbito da Operação Retis, deflagrada em 2022. A PF não informou se os demais alvos dos mandados já foram localizados ou se seguem foragidos.
As investigações prosseguem para identificar outros integrantes da estrutura e aprofundar o levantamento sobre a movimentação financeira internacional. A Polícia Federal informou que novas diligências podem ser realizadas nos próximos dias, conforme o avanço das apurações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/advogado-financeira-mafia-italiana-pf

