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São Paulo

Haddad questiona contratos do transporte público após operação contra lavagem de dinheiro

Ex-prefeito e candidato ao governo de São Paulo cobrou explicações da gestão municipal após operação que investiga suposta ligação entre empresas de ônibus e o crime organizado.

PCC no transporte: Haddad cita possível “conluio” ao falar sobre licitaçãoFoto: Divulgação/Diogo Zacarias Campanha Fernando Haddad
Raphael Nogueira Felix
17 de setembro de 202617:18
Atualizado agora há pouco às 20:18

O candidato ao governo de São Paulo e ex-prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), cobrou explicações da Prefeitura de São Paulo após a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9). A ação investiga empresas de transporte público por suspeita de lavagem de dinheiro em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante agenda de campanha em Jundiaí, no interior paulista, Haddad afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos. «Essas coisas precisam ser explicadas, porque, por trás desses esquemas, você pode ter certeza de que tem algum vínculo político que precisa ser esclarecido», declarou. «Ninguém faz isso sem ter algum suporte político por trás», completou.

A operação é conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ao todo, são cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos está o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União), aliado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Haddad também defendeu que as investigações avancem para identificar eventuais vínculos políticos. «Tanto a polícia quanto o Ministério Público podem avançar nessas investigações para saber qual é o esquema político que está por trás», disse o petista.

O ex-prefeito, que governou a capital entre 2013 e 2016, lembrou que a concessão das linhas de ônibus foi realizada em 2019, após uma série de adiamentos determinados pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) devido a irregularidades técnicas nos editais. O contrato anterior havia sido assinado em 2003, na gestão de Marta Suplicy (PT), e encerrado em 2013.

O edital de 2019 dividiu o serviço em subsistemas e colocou 32 lotes em disputa, abrangendo toda a cidade. No entanto, apenas um lote teve concorrência. Os outros 31 registraram somente uma empresa ou consórcio interessado, segundo informações do processo licitatório.

A Prefeitura de São Paulo informou, em nota, que atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório. O Metrópoles procurou a gestão municipal para comentar as declarações de Haddad sobre a licitação e aguarda retorno.

De acordo com a investigação, o suposto esquema envolvia empresas, advogados, integrantes do crime organizado e agentes públicos para atender aos interesses da facção. A ação desta quinta-feira é um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada de Decúrio.

Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes do PCC e trocas de mensagens que teriam relação com contratos públicos. As apurações seguem sob sigilo e não há conclusão sobre as responsabilidades individuais.

Haddad ressaltou que a população merece transparência sobre os contratos firmados pela administração municipal, incluindo os de concessão de cemitérios, fornecimento de Wi-Fi nas periferias e transporte público. O caso continua em investigação pelas autoridades competentes.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pcc-transporte-haddad-conluio

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