UrgenteInvestigação aponta controle do PCC em 12 das 22 empresas de ônibus da capital paulista
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São Paulo

Investigação aponta controle do PCC em 12 das 22 empresas de ônibus da capital paulista

Operação Vectura Corrupta cumpre mandados contra suposta infiltração do crime organizado no transporte público de São Paulo e apura esquema com empresas, advogados e agentes públicos.

foto colorida de ônibus da Transwolff circulam normalmente no dia em que MPSP faz operação da empresa por suspeita de ligação com o PCC; na imagem, ônibus da empresa no Terminal Santo AmaroFoto: Jéssica Bernardo/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
17 de setembro de 202612:29
Atualizado agora há pouco às 15:29

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Batizada de Operação Vectura Corrupta, a ação apura indícios de que ao menos 12 das 22 empresas de ônibus da cidade estariam, em tese, sob controle da facção criminosa.

A operação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Entre os alvos está o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União), que não foi localizado pelos policiais e afirmou que se apresentará em até 24 horas.

Também foi preso o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira. De acordo com as autoridades, o suposto esquema envolvia empresas, advogados, integrantes do crime organizado e agentes públicos para atender aos interesses da facção no setor de transporte.

A investigação descreve um modelo de atuação que combinaria empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais. Os sócios formais das concessionárias seriam usados como laranjas para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que, segundo a apuração, teriam ligação com o PCC.

Segundo os investigadores, haveria ainda ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Em alguns casos, as empresas passariam a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as concorrências, mediante repasse de propinas a agentes públicos.

As facilidades no setor, conforme a apuração, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e da cooptação de servidores e agentes públicos. Candidato a deputado estadual, Danilo Morgado (PL) foi preso durante a operação; ele é investigado por suposto envolvimento com o núcleo político do PCC, e a polícia apura se sua campanha municipal de 2024 foi financiada pela facção.

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento de outra ação deflagrada em agosto de 2024, batizada de Decúrio. Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes do PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo no transporte público.

O texto da investigação menciona a contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior. A Prefeitura de São Paulo afirmou que atua com rigor no caso e em conjunto com os órgãos de investigação. Milton Leite negou envolvimento e disse que se apresentará às autoridades.

As apurações seguem sob sigilo, e os citados poderão apresentar defesa ao longo do processo. A reportagem procurou os demais envolvidos e atualizará a matéria caso haja manifestação.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pcc-empresas-onibus-sp-investigacao

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