O governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), destinou R$ 23,7 bilhões às polícias e ao sistema prisional no ano passado. O valor representa 6,4% do orçamento estadual e supera em R$ 4,7 bilhões a soma dos recursos aplicados em outros 14 setores da administração paulista, que totalizaram R$ 19 bilhões. Os dados são do centro de pesquisa Justa.
A diferença evidencia uma prioridade orçamentária voltada à segurança pública e à custódia, em detrimento de áreas como ressocialização e políticas para egressos. O levantamento compara o montante destinado às polícias e ao sistema prisional com o de pastas como educação, saúde, cultura, meio ambiente, entre outras.
Procurado, o governo estadual afirmou que os números refletem realidades distintas. «A atividade policial demanda mais recursos, efetivo e equipamentos para garantir a segurança diária de mais de 46 milhões de pessoas. Já o sistema prisional possui outra finalidade, a de custódia, e atende uma população carcerária de cerca de 230 mil pessoas em todas as regiões do estado», declarou em nota.
A administração acrescentou que, ainda em 2025, a Secretaria da Administração Penitenciária investiu cerca de R$ 10 milhões em ações de alternativas penais, reintegração social, qualificação profissional e assistência à pessoa egressa e seus familiares. O estado conta atualmente com 76 Centrais de Atenção à Pessoa Egressa e Família e 101 Centrais de Penas e Medidas Alternativas.
Os dados revelam um funil orçamentário: o gasto para prender e manter o indivíduo no sistema prisional é muito superior ao investimento para evitar a reincidência criminal. Segundo o centro de pesquisa, para cada R$ 1 aplicado em políticas para egressos, o estado desembolsa R$ 5,4 mil mensais na etapa de policiamento, que antecede a prisão.
O custo médio mensal para manter uma pessoa presa foi de R$ 2.155,63 em 2023, conforme o relatório mais recente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) sobre o tema. Esse valor corresponde à gestão da custódia, que absorve cerca de 98% dos recursos da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), incluindo ações de reintegração social e emendas parlamentares.
Em contrapartida, o investimento em ações de ressocialização — que abrangem educação, trabalho para presos e apoio a egressos — é bem menor: apenas R$ 36,26 mensais por custodiado. A disparidade entre custo de custódia e gasto com reintegração é apontada por especialistas como fator que favorece a reincidência criminal.
«O primeiro mês e o primeiro ano da pessoa em liberdade são dois marcos fundamentais para que a pessoa não volte a cometer crimes», destacou Viviane Pires, coordenadora de programas do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Ela defende que medidas emergenciais sejam adotadas nesses períodos, como regularização de documentação, conclusão de estudos e acesso a trabalho.
O desequilíbrio orçamentário também levanta debate sobre a efetividade das políticas de segurança. Enquanto o estado amplia gastos com policiamento e custódia, a parcela destinada a programas de reintegração permanece reduzida, o que, segundo analistas, compromete a interrupção do ciclo criminal e a reintegração social dos egressos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sp-bilhoes-policias-prisoes

