O ex-vereador e presidente do União Brasil em São Paulo, Milton Leite, afirmou que não está foragido e que pretende se apresentar às autoridades no prazo de 24 horas. A declaração foi dada após a Justiça decretar sua prisão no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
A operação investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas do sistema de transporte público da capital paulista. Ao todo, a Justiça determinou a prisão de 16 pessoas, incluindo advogados, o candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário de Mobilidade e Trânsito na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Procurado, Leite rebateu as acusações e explicou que os encontros citados pela polícia ocorreram quando ele ocupava interinamente a Prefeitura de São Paulo, como presidente da Câmara de Vereadores. «Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes», declarou ao Metrópoles.
O ex-vereador também justificou sua ausência de casa. Segundo ele, a viagem está relacionada a compromissos da empresa da família e à agenda política do filho, que é candidato a deputado estadual. «Aproveitei para sair porque minha mulher não está no Brasil. Pedi para ela voltar. Foi coincidência só. Eu saí para cuidar de assuntos da minha empresa e de campanha do meu filho, no interior de São Paulo», afirmou.
Leite reforçou que não pretende se esconder e que aguarda o prazo solicitado para se apresentar. «Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não», disse.
A Operação Vectura Corrupta apura a atuação de um suposto núcleo político ligado à facção criminosa dentro do sistema de transporte público. Além dos mandados de prisão, a ação cumpre buscas e apreensões em endereços ligados aos investigados. As autoridades não detalharam quais evidências embasam cada pedido de prisão.
A defesa de Milton Leite nega qualquer envolvimento com o esquema investigado e classifica as acusações como infundadas. O ex-vereador argumenta que sua atuação na área de transportes ocorreu em caráter institucional, durante o período em que respondeu pela prefeitura.
O caso segue em investigação sob sigilo. A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo devem ouvir os envolvidos nos próximos dias. A reportagem procurou os demais citados e atualizará a matéria caso haja manifestação.
A prisão de Milton Leite ocorre em meio ao período eleitoral, uma vez que seu filho disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. O ex-vereador afirmou que sua viagem pelo interior paulista tinha como objetivo acompanhar a campanha do filho.
Até o momento, não há informação sobre a apresentação espontânea de outros alvos da operação. A Justiça de São Paulo não divulgou novos prazos para as diligências.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/milton-leite-diz-vai-se-apresentar-24h

