UrgenteOperação contra infiltração do PCC no transporte de SP tem Milton Leite como um dos investigados
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São Paulo

Operação contra infiltração do PCC no transporte de SP tem Milton Leite como um dos investigados

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo é alvo de mandado de prisão em ação que apura lavagem de dinheiro e suposta ligação com empresa de ônibus Transwolff.

Foto colorida do vereador Milton Leite, presidente da Câmara de São PauloFoto: Lucas Bassi/Rede Câmara
Raphael Nogueira Felix
17 de setembro de 202607:19
Atualizado agora há pouco às 10:19

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram nesta quinta-feira (17/9) a Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público da capital paulista. Entre os alvos está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil).

Com sete mandatos como vereador e quase 30 anos de vida pública, Milton Leite é um dos políticos mais influentes de São Paulo. Ele ingressou na Câmara Municipal em 1997 e foi reeleito outras seis vezes consecutivas: em 2000, 2004, 2008, 2012, 2016 e 2020. Nas eleições de 2016 e 2020, foi o segundo vereador mais votado do Brasil.

Leite presidiu a Câmara Municipal de 2017 a 2018 e entre 2021 e 2024. Em julho de 2024, anunciou que não tentaria a reeleição, alegando que já havia dado sua contribuição para a sociedade. Atualmente, ocupa o cargo de presidente do União Brasil em São Paulo. O Metrópoles tentou contato com a defesa de Milton Leite e com o partido, mas aguarda retorno.

A investigação apura a suposta relação de Milton Leite com a empresa de ônibus Transwolff, que seria usada para lavar dinheiro em favor do PCC. Em fevereiro de 2026, o 2º sargento da Polícia Militar Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso naquele mesmo mês, afirmou em depoimento à Corregedoria da corporação que Leite seria o dono da Transwolff. Segundo o PM, os demais diretores da companhia atuavam como laranjas.

A prisão do sargento Cezário ocorreu durante uma operação contra agentes que faziam a segurança pessoal de Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, e de Cícero de Oliveira, o Té, ex-diretores da Transwolff. Outro policial preso, o capitão Alexandre Paulino Vieira, teria atuado como segurança de Milton Leite.

No depoimento à Corregedoria, Cezário declarou que o capitão Alexandre passou a comandar a equipe de segurança dos líderes da Transwolff por intermédio do vereador, então presidente da Câmara Municipal. Na época, o oficial era assessor militar da Câmara e trabalhava diretamente com Milton Leite.

«Perguntado quem colocou o Cap Alexandre como administrador das equipes de segurança, respondeu que, como o Cap PM trabalhava na Câmara Municipal com o Milton Leite e este (Milton Leite) era de fato o ‘dono’ da TW e os demais diretores eram apenas ‘laranjas’, acredita que por isso foi indicado o Cap PM, mas ressalta que ‘ouvia’ dizer isso sobre Milton Leite, mas não pode provar».

Milton Leite nega ser dono da empresa ou ter participado de qualquer ilegalidade e afirma que as acusações são mentiras. A defesa do ex-vereador ainda não se manifestou publicamente sobre a operação desta quinta-feira.

A Operação Vectura Corrupta investiga a infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo da capital, com foco em lavagem de dinheiro. Além de Milton Leite, outros alvos foram atingidos por mandados de prisão e de busca e apreensão. As autoridades não divulgaram o número total de investigados.

O caso segue sob apuração da Polícia Civil e do MPSP. Novas informações devem ser divulgadas ao longo das investigações. A reportagem será atualizada caso haja novos desdobramentos ou manifestação dos envolvidos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/milton-leite-operacao-pcc-transporte

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