O Ministério Público de São Paulo decidiu arquivar a investigação sobre o episódio em que estudantes de uma escola estadual na zona sul da capital paulista passaram mal após inalar fumaça proveniente de um treinamento da Polícia Militar realizado em um batalhão vizinho à unidade de ensino.
O caso ocorreu em 25 de junho e levou cinco alunos ao hospital. A apuração foi concluída sem a identificação de crime militar ou comum, segundo o órgão. A conclusão apontou falha humana do sargento responsável pela atividade, que não teria verificado a direção do vento antes de utilizar munição química.
A decisão de arquivamento foi tomada na quarta-feira (16/9). O procedimento havia sido aberto após representação de parlamentares do PSol: a vereadora Amanda Paschoal e o grupo formado pela deputada federal Luciene Cavalcante, pelo deputado estadual Carlos Giannazi e pelo vereador paulistano Celso Giannazi.
Na representação, os políticos sustentavam que a ocorrência evidenciou falha no planejamento da atividade e negligência da corporação ao realizar treinamento com munição química ao lado de uma escola, sem avaliação adequada dos riscos para a comunidade do entorno.
Durante as investigações, foi constatado que não houve crime militar ou comum, apenas a falha humana do sargento Júlio Cesar da Silva, responsável pelo treinamento. Como medida disciplinar, o policial recebeu dois dias de permanência disciplinar e o caso foi encerrado.
Relembre o caso: durante uma atividade da Polícia Militar, em 25 de junho, a fumaça utilizada no treinamento se espalhou para a área da Escola Estadual Professor Luiz Gonzaga Pinto e Silva, na zona sul de São Paulo, causando mal-estar em alunos. As crianças precisaram de atendimento.
Equipes de emergência foram acionadas e os estudantes foram encaminhados a unidades de saúde para avaliação médica. Em nota, a Polícia Militar informou que o treinamento da Força Tática ocorreu em área previamente destinada a esse tipo de instrução e que a atividade foi interrompida assim que a situação foi percebida.
A corporação afirmou ainda que prestou atendimento imediato às pessoas que apresentaram desconforto, acionou o Samu e o Corpo de Bombeiros e instaurou procedimento administrativo para apurar o ocorrido.
A Secretaria Estadual da Educação, por meio da Unidade Regional de Ensino Sul 2, lamentou o episódio e informou que a equipe gestora suspendeu temporariamente as atividades, adotou medidas de segurança e acionou o Samu. Segundo a pasta, a direção da escola foi informada pela PM de que a fumaça teria sido provocada pelo treinamento realizado no batalhão ao lado da unidade.
O arquivamento encerra a apuração no âmbito do Ministério Público, mas o episódio reacende o debate sobre a realização de treinamentos com agentes químicos em áreas próximas a escolas e residências, tema que costuma mobilizar moradores e representantes políticos na capital.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fumaca-treinamento-pm-apuracao-arquivada

