O debate entre pré-candidatos à Presidência promovido pelo portal Metrópoles em parceria com o podcast Inteligência Ltda, realizado na noite de sexta-feira (18), colocou frente a frente Samara Martins (UP), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). O encontro foi o primeiro desta pré-campanha a contar com uma candidata de esquerda e também a estreia de Zema em eventos do tipo, após ausência no debate da Band, no início de agosto.
Temas como a crise no Supremo Tribunal Federal, o reajuste do Bolsa Família, as privatizações na educação e a escala de trabalho 6x1 dominaram as discussões. Os organizadores informaram que Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) cancelaram a participação de última hora, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não responderam ao convite.
A primeira parte do debate foi marcada por embates entre Samara Martins e Romeu Zema. A candidata da UP abordou temas de política externa, citando a situação de palestinos e cubanos, e questionou o ex-governador de Minas Gerais sobre como trataria a soberania nacional em um eventual governo.
Zema evitou responder diretamente e defendeu a redução da dependência comercial do Brasil em relação à China. «Nenhum país do mundo deveria representar mais do que 10% das vendas que o Brasil faz. E hoje a China representa 30%», afirmou o candidato, que prometeu retirar o país do BRICS se eleito.
Samara rebateu afirmando que as privatizações realizadas por Zema em Minas Gerais contrariam a defesa da soberania. «É uma entrega da nossa soberania porque grande parte dessas privatizações é para empresas estrangeiras», disse. Zema reagiu e disse defender as privatizações como modelo que deu certo no mundo, citando governos de esquerda na América Latina em tom de crítica à adversária.
O confronto entre os dois se repetiu no debate sobre educação. Samara criticou a concessão de escolas à iniciativa privada feita em Minas Gerais. «Defendemos a educação como um direito e não como uma mercadoria», declarou. Zema respondeu que a concorrência melhora os serviços e que haveria tentativa de doutrinação no modelo atual.
Augusto Cury adotou estratégia de confronto direto com Samara, questionando em vários momentos se a candidata tinha conhecimento de dados específicos, como o número de microempreendedores no país e a diferença de juros pagos por mulheres em relação aos homens. Ao final do evento, a candidata criticou a postura dos adversários.
O debate também serviu para que Zema e Cury criticassem o STF e o governo Lula, em uma dobradinha que marcou a reta final do encontro. A mediação foi conduzida pelos organizadores, que destacaram a diversidade de posições entre os participantes presentes.
A ausência de nomes como Lula e Flávio Bolsonaro foi registrada pelos organizadores, que informaram não ter recebido resposta ao convite. Já as desistências de Caiado e Renan Santos ocorreram horas antes do evento, sem detalhamento de motivos.
O encontro integra uma série de debates promovidos por veículos de comunicação e podcasts durante o período pré-eleitoral. Novos eventos com pré-candidatos estão previstos para as próximas semanas, segundo os organizadores.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/stf-e-privatizacoes-pautam-debate-presidencial-metropoles-inteligencia-ltda

