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São Paulo

PDT-SP enfrenta crise interna por propaganda conjunta com Republicanos nas eleições

Integrantes do PDT-SP apontam uso irregular do Fundo Eleitoral em materiais que unem candidatos de siglas diferentes; partido nega irregularidade.

Candidato do PDT com material eleitoral. Material cedido ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
19 de setembro de 202602:30
Atualizado agora há pouco às 05:30

Uma polêmica envolvendo a produção de materiais de campanha abalou os bastidores do PDT em São Paulo. Integrantes do diretório estadual afirmam que dirigentes estariam utilizando recursos do Fundo Eleitoral para custear propaganda conjunta, conhecida como dobrada, ao lado de candidatos do Republicanos — prática vedada pela legislação eleitoral em vigor.

O caso veio à tona após o candidato a deputado federal Gilson Rocha (PDT) publicar um desabafo nas redes sociais. Ele relatou que a sigla encomendou panfletos em que sua imagem aparece ao lado de Ely Santos (Republicanos), candidata a deputada estadual, e de Juliana Rodrigues (PP). Gilson afirma que não solicitou nem autorizou a associação de sua imagem a esses materiais.

Ely Santos é irmã de Ney Santos (Republicanos), ex-prefeito de Embu das Artes e também candidato a deputado federal. A postulante do Republicanos aparece ainda em publicações de apoio de Bruninho Oliveira, integrante da direção nacional do PDT. Em vídeo, Gilson exibe os pacotes com os santinhos e questiona a origem dos recursos.

Segundo relatos de membros do partido, o prefeito de Cotia, Welington Formiga, presidente do diretório estadual do PDT, e Carlos Lupi, presidente nacional da legenda, teriam conhecimento do conteúdo das dobradas com o Republicanos, que teria sido autorizado por um dirigente local.

A insatisfação é ampliada pelo fato de as siglas ocuparem campos opostos no espectro político. «O problema é que um partido é da direita e o outro, da esquerda. A coligação ou federação não poderia trabalhar junto em apoio. É infidelidade partidária para ambos», desabafou um integrante do PDT ouvido pela reportagem.

Em uma transmissão ao vivo recente, o presidente estadual Welington Formiga declarou apoio ao candidato a deputado estadual Fran Silva (Podemos), o que reforçou as críticas internas sobre a falta de alinhamento na condução da campanha.

Consultado, um advogado especializado em direito eleitoral explicou que as restrições podem ser impostas tanto pelos estatutos partidários quanto por decisões tomadas em convenções. «Tem um novo problema que ainda estava fora do radar, que é uma disposição da resolução atual que impede a doação de material estimável em dinheiro, se for pago com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha com Fundo Partidário, se os candidatos forem de partidos ou de federações diferentes», afirmou o especialista.

Para que o material não gere questionamentos perante a Justiça Eleitoral, ele deve ser custeado exclusivamente por doações privadas de campanha, e não com verbas públicas. A orientação é que as legendas fiquem atentas às normas para evitar possíveis sanções.

Procurado, o Republicanos informou que não há irregularidade caso o material seja financiado por doações privadas. Já o PDT-SP não se manifestou até a publicação desta reportagem. O caso segue em discussão interna e pode ter desdobramentos na Justiça Eleitoral.

A situação evidencia as tensões em torno da divisão dos recursos do Fundo Eleitoral e das alianças informais entre partidos de campos distintos, tema que tem gerado embates em diversas legendas nesta eleição.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/dobrada-de-candidatos-do-pdt-e-republicanos-causa-revolta-infidelidade

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