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São Paulo

TJSP apura invasão de sistema para apagar mandado de prisão de suspeito de feminicídio

Credenciais de uma juíza do Rio Grande do Sul teriam sido usadas para alterar dados de Alex Leandro Bispo dos Santos no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões.

Hackers usam senha de juíza para apagar mandado contra “Escorpião do PCC”. Hackers usam senha de juíza para apagar mandado contra "Escorpião do PCC"
Raphael Nogueira Felix
22 de setembro de 202618:40
Atualizado agora há pouco às 21:40

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou na última quinta-feira (17) que registrou uma alteração indevida no mandado de prisão de Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como «Escorpião do PCC», no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões. Segundo o tribunal, a modificação foi feita com credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a principal linha de apuração aponta para a ação de um invasor que teria obtido acesso ao sistema público e utilizado os dados funcionais da magistrada. Com a alteração, o nome e o CPF do investigado foram modificados no banco de dados, de modo que ele deixava de aparecer como procurado em consultas feitas por agentes de segurança.

O caso envolvendo Alex é investigado como feminicídio contra sua ex-companheira, Mariana Katiane Gomes da Silva. A ocorrência foi registrada em 29 de novembro do ano passado, na zona sul da capital paulista. Conforme a apuração, ele teria agredido a vítima e a lançado da janela do apartamento onde moravam.

A Promotoria pede a condenação do acusado pelo crime e requer indenização mínima de R$ 500 mil à família da vítima. A defesa de Alex sustenta que ele é inocente e afirma que a vítima teria cometido óbito. Não há decisão final sobre o mérito da acusação.

Além desse processo, o Ministério Público aponta que Alex se apresentava como integrante do Primeiro Comando da Capital. Em áudios incluídos no inquérito, o acusado afirma ter vínculo com a facção e diz que não deve satisfação a ninguém. Durante interrogatório, ele negou participação em organização criminosa.

No início de agosto deste ano, o juiz responsável concedeu liberdade provisória e Alex foi solto. O Ministério Público recorreu e obteve o restabelecimento da prisão preventiva. Ele, porém, não se apresentou às autoridades e segue sendo procurado, segundo os autos.

Conforme o processo, a fraude no sistema ocorreu em 23 de agosto, com uso de login e senha de uma juíza da cidade de Planalto, no Rio Grande do Sul. A investigação busca identificar como as credenciais foram obtidas e quem teria executado a alteração no cadastro nacional.

Os autos também mencionam suposta relação de Alex com a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o processo, ele teria recebido R$ 12 milhões da produtora executiva da obra, Karina Pereira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil. A informação consta da apuração e não representa conclusão judicial.

O Tribunal de Justiça de São Paulo não detalhou quais providências internas foram adotadas após a constatação da fraude, nem informou se o caso foi encaminhado a órgãos de investigação. O espaço segue aberto para manifestações das partes citadas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/hackers-senha-juiza-apagar-mandado-escorpiao-do-pcc

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