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São Paulo

Haddad defende programa de recuperação para dependentes químicos e alerta sobre novas Cracolândias

Candidato ao governo de São Paulo elogiou intervenção na Cracolândia, mas afirmou que faltam políticas de acolhimento e tratamento para evitar que o problema se espalhe pela capital.

haddadFoto: Diogo Zacarias/Partido dos Trabalhadores
Raphael Nogueira Felix
23 de setembro de 202623:41
Atualizado agora há pouco às 02:41

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) defendeu nesta quarta-feira (23/9) a criação de um programa de recuperação para dependentes químicos como forma de evitar o surgimento de novas concentrações de usuários de crack na capital paulista. Durante entrevista ao Flow Podcast, ele afirmou que a intervenção na Cracolândia foi positiva, mas insuficiente sem uma política de acolhimento e tratamento.

Haddad elogiou o modelo de intervenção realizado no centro da cidade, que segundo ele contou com o apoio do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e do governo federal. «Muita gente ajudou para aquilo acontecer», disse o candidato, ao comentar a força-tarefa que atuou na região.

O petista afirmou que nunca criticou a ação na Cracolândia, mas ressaltou que os dependentes químicos estão espalhados por toda a cidade e também fora da capital, sem um trabalho estruturado de recuperação. «E foi bom. Eu nunca critiquei. Acontece que os dependentes estão espalhados pela cidade, inclusive fora da capital. E não tem um trabalho de recuperação do dependente químico», declarou.

Haddad voltou a citar o programa Braços Abertos, criado durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo, como referência para o que considera necessário. Ele defendeu a adoção de um modelo semelhante em escala estadual, com foco no acolhimento e na oferta de alternativas de tratamento para quem vive nas ruas.

Para justificar sua proposta, o candidato relacionou o consumo de crack ao aumento de roubos na cidade. Segundo ele, a dependência química leva pessoas a cometer delitos para conseguir dinheiro e adquirir a droga. «Nas marginais, se for à noite, tarde da noite, você vai ver que tem muita gente fumando crack. E essa pessoa vai ter que, para conseguir a pedra, precisa entregar alguma coisa. Dinheiro não tem, quebra o vidro, rouba alguma coisa e troca», afirmou.

Haddad alertou que, sem um programa de acolhimento e tratamento, o problema tende a se multiplicar pela capital e por outras cidades do país. «Se você não tiver um programa de acolhimento dessa pessoa para tirar da rua, dar o tratamento, oferecer a alternativa, nós vamos continuar com o problema do crack. Daqui a pouco tem outras Cracolândias acontecendo na cidade e no país», completou.

A declaração ocorre em meio à disputa eleitoral pelo governo paulista. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (23/9) mostra Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 44% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Haddad aparece com 27%. O levantamento anterior, de 8 de setembro, apontava o atual governador com 42% e o petista com 27%, ampliando a diferença de 15 para 17 pontos percentuais.

O tema da Cracolândia é uma das principais bandeiras da campanha de Tarcísio de Freitas à reeleição. O levantamento foi realizado entre 19 e 22 de setembro com 1.800 eleitores de 16 anos ou mais no estado de São Paulo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código SP-00959/2026. A pesquisa tem margem de erro de cerca de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-quer-programa-para-dependentes-quimicos-contra-novas-cracolandias

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