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São Paulo

Tebet afirma que vitória de Flávio Bolsonaro colocaria milícia do Rio no Planalto

Candidata do PSB ao Senado por São Paulo disse que Flávio Bolsonaro representa um risco civilizatório e defendeu apuração sobre ministros do STF.

Simone TebetFoto: Rebeca Ligabue/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
24 de setembro de 202600:16
Atualizado agora há pouco às 03:16

A candidata do PSB ao Senado por São Paulo, Simone Tebet, afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial representaria um risco civilizatório e para a soberania nacional. A declaração foi feita após debate entre candidatos ao Senado promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), na região central da capital paulista.

«Podemos correr o risco de trazer a milícia do Rio de Janeiro para dentro do Palácio do Planalto», declarou Tebet ao deixar o evento. Segundo ela, a candidatura do senador fluminense não é apenas uma disputa eleitoral, mas um alerta sobre o tipo de influência que pode chegar ao centro do poder federal.

A candidata declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora se defina como uma política de centro. «Eu não sou Lula, mas eu apoio o Lula porque o lado de lá significa um risco civilizatório, um risco da soberania nacional», explicou. A fala foi registrada após o debate, que reuniu postulantes ao Senado por São Paulo.

Tebet também mencionou o histórico de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2008, quando a casa instalou a CPI das Milícias, ele votou contra a abertura da comissão. Na época, as milícias já dominavam comunidades, cobravam taxas ilegais, exploravam serviços e impunham medo em áreas inteiras do Rio.

A candidata citou ainda a concessão da Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj, a Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano. Ele era suspeito de liderar uma milícia na zona oeste do Rio e apontado como integrante do Escritório do Crime. A condecoração foi entregue enquanto ele estava preso sob acusação de homicídio.

A relação entre Flávio Bolsonaro e Adriano não se limitou à homenagem. A mãe e a então esposa do miliciano trabalharam no gabinete do então deputado estadual na Alerj. Ambas deixaram os cargos em novembro de 2018, após virem à tona as suspeitas envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo de longa data de Jair Bolsonaro.

As investigações sobre o caso foram encerradas em 2021, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as provas coletadas contra o senador. O episódio segue sendo lembrado em debates eleitorais e em manifestações de adversários políticos.

Sobre o STF, Tebet afirmou que até três ministros precisam ser investigados. «Eu acho que no plural, sim. Acho que nós temos mais de dois. Eu diria que talvez três ministros», declarou. Ela defendeu que eventuais apurações ocorram com respeito ao devido processo legal e sem atropelos institucionais.

A fala da candidata ocorre em um cenário de acirramento da corrida eleitoral em São Paulo, com debates frequentes entre os postulantes ao Senado. Temas como corrupção, emendas parlamentares e a atuação do STF têm dominado os encontros, segundo relatos de participantes.

Procurada, a assessoria de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para eventuais respostas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tebet-diz-que-eleicao-de-flavio-seria-colocar-milicia-do-rj-no-planalto

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