Candidatos ao Senado por São Paulo participaram, na noite desta quarta-feira (23/9), de debate promovido pelo Estadão em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), no bairro Higienópolis, região central da capital paulista. O encontro reuniu André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania).
Corrupção, bets, uso de emendas parlamentares e Supremo Tribunal Federal (STF) dominaram as discussões, que também abordaram segurança pública e o fim da jornada 6×1 de trabalho. A renovação das cadeiras no Senado pode abrir espaço para que pedidos de afastamento de magistrados da Corte sejam votados pela primeira vez na história do Brasil.
As candidatas alinhadas ao governo federal, Simone Tebet e Marina Silva, evitaram citações diretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas defenderam políticas públicas da gestão. Tebet mencionou o menor índice de desemprego da história do Brasil e destacou que o salário mínimo aumentou acima da inflação.
Os concorrentes da direita aproveitaram para criticar o governo federal. Derrite afirmou que a gestão Lula fracassou em diminuir a dívida pública e os juros. «Se a culpa foi do Congresso, faltou articulação do governo Lula», opinou. Ele também condenou o que chamou de «assistencialismo desacerbado» e classificou como «medida eleitoreira» o aumento do Bolsa Família no período pré-primeiro turno.
Marina Silva rebateu as críticas e defendeu que o reajuste teve como objetivo corrigir a inflação. «Você desconhece quem passa fome e trata dessa maneira um programa que tirou o Brasil do Mapa da Fome», criticou a candidata em resposta a Derrite.
O STF, como em debates anteriores, voltou ao centro das discussões. André do Prado se colocou contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por não pautar o impeachment de ministros da Corte nesta legislatura. Derrite apoiou uma mudança no regimento interno do Senado e também criticou Alcolumbre.
«É inadmissível que, com indícios de autoria e materialidade de ministros da Suprema Corte no maior escândalo da história recente do país, nós não temos no mínimo um pedido de impeachment aberto, instaurado», disse Derrite. «É mais do que urgente que o Senado Federal tenha um novo presidente, e que esse novo presidente tenha a coragem de atender ao pedido da maior parte da população brasileira e abrir o processo de impeachment», disparou o candidato.
Em entrevista coletiva ao fim do evento, Salles, Tebet e Marina também se posicionaram a favor da investigação de ministros ligados ao escândalo do Master. André citou nomes e defendeu apuração rigorosa. A regulamentação das apostas esportivas, as bets, foi outro ponto de atrito entre os participantes, que apresentaram propostas distintas para o setor.
O debate também abordou o fim da jornada 6×1 de trabalho, tema que dividiu os candidatos. Enquanto alguns defenderam a redução da carga horária sem redução salarial, outros alertaram para possíveis impactos na economia e no emprego.
O encontro faz parte de uma série de sabatinas promovidas por veículos de imprensa e instituições de ensino com os postulantes ao Senado por São Paulo. A eleição para o Senado em 2026 definirá três cadeiras pelo estado, com impacto direto na composição da próxima legislatura e nas pautas que serão priorizadas no Congresso Nacional.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/corrupcao-bets-emendas-e-stf-ditam-debate-de-candidatos-ao-senado-por-sp

