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São Paulo

Haddad critica escolas cívico-militares e promete não ampliar modelo em São Paulo se eleito

Em sabatina, candidato ao governo paulista afirmou que o modelo não deu certo em nenhum lugar e defendeu universalizar ensino técnico de qualidade.

Foto: Rebeca Ligabue/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
24 de setembro de 202613:34
Atualizado agora há pouco às 16:34

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) declarou, durante sabatina realizada nesta quinta-feira (24/9), que não pretende ampliar o modelo de escolas cívico-militares no estado caso seja eleito. Segundo o petista, a experiência implementada pela gestão do atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não apresenta resultados satisfatórios.

«Eu não vou autoritariamente mudar o modelo, mas vou reconsultar à luz da experiência que eles viveram. Não vou ampliar porque não acredito nesse modelo. Esse modelo não deu certo em nenhum lugar do mundo», afirmou Haddad durante a entrevista.

O candidato sustentou a crítica citando indicadores internacionais e nacionais. De acordo com ele, não há países que adotem esse formato entre os líderes em qualidade de educação, e nenhuma das cem melhores escolas brasileiras segue o modelo cívico-militar.

Haddad também associou a queda de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ao que classificou como plataformização do ensino, prática que atribui à gestão estadual. Para o candidato, a obrigatoriedade de professores permanecerem longos períodos diante de computadores com problemas de conexão tem gerado desgaste na categoria.

«A plataformização das escolas estaduais é essa obrigatoriedade do professor passar três horas na frente de um computador ruim, mal conectado, preenchendo planilha. O resultado: os professores revoltados, todo mundo com burnout», disse.

Como alternativa, o petista defendeu a universalização de modelos que considera bem-sucedidos, como os Institutos Federais e as escolas técnicas da Fundação Paula Souza (Etecs). O objetivo, segundo ele, é democratizar o acesso a um ensino de qualidade para todas as camadas da população.

«Eu quero que o filho da pessoa mais humilde deste estado tenha a mesma qualidade de ensino que o filho de um banqueiro», destacou o candidato, que é ex-ministro da Fazenda.

Haddad ainda afirmou que mudanças no sistema educacional devem ser feitas em diálogo com os profissionais da área, ouvindo suas demandas. «Não quero mais segregação, a escola que dá certo e a escola que não dá certo. O sistema tem que funcionar», completou.

No plano federal, o candidato lembrou ter criado o Instituto Federal, que descreveu como modelo de referência internacional. Segundo ele, São Paulo contava com duas unidades no início e deve encerrar o ano com 58, número que considera insuficiente diante da demanda.

A sabatina também abordou o cenário eleitoral. Pesquisa Quaest divulgada em 23 de setembro aponta Tarcísio de Freitas com 44% das intenções de voto e Fernando Haddad com 27%. O levantamento ouviu eleitores do estado de São Paulo e tem margem de erro que deve ser considerada na leitura dos números.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nao-deu-certo-lugar-nenhum-haddad-sobre-escolas-civico-militares

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