O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou, durante sabatina realizada nesta quinta-feira (24/9), que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deve prestar esclarecimentos sobre as suspeitas que envolvem sua ligação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Haddad reconheceu que Moraes teve um papel relevante na apuração dos atos golpistas de 8 de janeiro, mas ressaltou que esse histórico não impede que eventuais questionamentos sejam feitos. «O Alexandre de Moraes teve um papel importante que foi celebrado pela imprensa, celebrado pelas pessoas que têm apreço pela democracia», declarou o petista.
Ainda assim, o candidato foi enfático ao afirmar que não existe compensação entre os serviços prestados e a necessidade de explicações. «Se há alguma coisa a ser explicada por um ministro do Supremo, ele que se explique. Todos nós, homens públicos, estamos sujeitos a isso, é legítimo que investigadores levantem dúvidas sobre a conduta de homens públicos», completou.
Haddad defendeu que o papel de qualquer autoridade é colaborar com as investigações até que elas sejam concluídas, sem tentar se esquivar de questionamentos. Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou apuração profunda do caso, com o objetivo de «passar o país a limpo».
O ex-ministro da Fazenda também classificou o episódio como uma herança do governo anterior. «É um escândalo de um governo. Quem operou o Banco Master foi gente do governo Bolsonaro», disse, acrescentando que se trata do «maior escândalo de corrupção, a maior fraude bancária da nossa história».
Durante a sabatina, Haddad mencionou que Jair Bolsonaro (PL) e o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teriam recebido doações de campanha de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero. Segundo o relato do ex-banqueiro em proposta de delação premiada, a destinação de R$ 5 milhões em 2022 — sendo R$ 2 milhões para o governador paulista e R$ 3 milhões para o ex-presidente — teria sido negociada como propina com Gilberto Kassab, presidente do PSD.
O candidato ressaltou que o governo Lula não promoveu trocas na cúpula da Polícia Federal, nem no Ministério da Justiça, como forma de garantir a autonomia das apurações. «Não mudou superintendente de Polícia Federal, não mudou diretor, não mudou delegado, não mudou ministro da Justiça, não mudou nada», afirmou.
Além do tema, Haddad respondeu a perguntas sobre propostas para o estado de São Paulo, o cenário eleitoral e os principais assuntos que devem marcar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Candidato ao governo paulista pela segunda vez, o ex-ministro tenta reverter o resultado da eleição anterior e conquistar o comando do Executivo estadual.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-defende-que-moraes-se-explique-sobre-master-e-legitimo

