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Praia Grande

Prisão de suspeito no litoral paulista leva polícia a apurar ligação entre facções de SP e BA

Edmilson Rosas Lima, apontado como liderança do Bonde do Maluco, foi preso na Praia Grande; investigadores verificam se o PCC custeou a estrutura usada pelo foragido.

Prisão no litoral leva polícia a investigar elo entre facções de SP e BA
Raphael Nogueira Felix
30 de setembro de 202602:20
Atualizado agora há pouco às 05:20

A prisão de Edmilson Rosas Lima, conhecido como Mago, apontado pelas autoridades baianas como uma das lideranças da facção Bonde do Maluco, colocou as polícias de São Paulo e da Bahia em alerta sobre a possível cooperação entre o grupo baiano e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O suspeito foi detido em 25 de setembro, em um imóvel de alto padrão na Praia Grande, no litoral sul paulista, durante a Operação Repatriação, conduzida pelo Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Bahia com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

No apartamento onde Mago estava, os agentes localizaram documentos falsos, celulares e uma BMW X3 avaliada em mais de R$ 300 mil. Contra ele havia mandados de prisão em aberto por tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídio, além de flagrante por uso de documento falso. As autoridades apontam que ele comandava o tráfico no bairro Arenoso, em Salvador, e seria o braço direito de Cleber Santos da Silva, o Keu, considerado líder principal do Bonde do Maluco e preso desde 2023 após ação policial em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista.

A investigação agora busca medir a extensão do apoio que o PCC teria dado ao grupo baiano, sobretudo no tráfico de armas e drogas, e se a parceria mira outros estados. Segundo a apuração, Mago teria circulado entre a capital paulista e o litoral, e um dos pontos centrais é saber se a estrutura que sustentava o foragido — imóvel de alto padrão, carro de luxo, comunicação, custeio de vida e uma nova identidade — foi bancada pela facção paulista.

Os aparelhos eletrônicos apreendidos no endereço serão analisados pelo setor de cibernética da Polícia Civil da Bahia. A expectativa é que os dados ajudem a esclarecer como funcionava a rede de apoio e quais eram os planos das organizações criminosas.

O delegado Ernanes Reis Júnior, diretor do Denarc da Bahia, destacou a importância da atuação conjunta entre as forças de segurança dos dois estados. «Conseguimos transformar informações de inteligência em ações concretas, resultando na prisão de uma importante liderança criminosa e no avanço das investigações contra outros alvos prioritários. A integração entre as forças policiais e o compartilhamento de informações foram fundamentais para o enfrentamento de organizações criminosas com atuação interestadual», afirmou.

A operação que prendeu Mago faz parte de um esforço mais amplo contra facções com atuação interestadual. Em junho deste ano, o Ministério Público de São Paulo deflagrou uma ação para prender lideranças ligadas ao crime organizado, em um movimento que já indicava a preocupação das autoridades com a conexão entre grupos de diferentes regiões.

A prisão de uma liderança apontada como elo entre as facções reforça a tese de que as organizações criminosas atuam de forma integrada, dividindo territórios e compartilhando estruturas para expandir negócios ilegais. As polícias de São Paulo e da Bahia seguem trocando informações para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações da parceria.

As autoridades não divulgaram detalhes sobre a defesa do suspeito nem sobre o andamento dos interrogatórios. O caso segue sob sigilo, e novos desdobramentos podem ocorrer à medida que a análise dos materiais apreendidos avançar.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/prisao-no-litoral-leva-policia-a-investigar-elo-entre-faccoes-de-sp-e-ba

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