A segurança pública se consolidou como o tema central das eleições de 2026, impulsionada pela percepção de insegurança que afeta o cotidiano dos brasileiros. Dados recentes do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, divulgado em agosto, revelam a frequência de crimes como roubos de celular, homicídios e outros delitos graves em todo o país.
Segundo o levantamento, ocorreu um roubo de celular a cada 38 segundos no ano passado, além de um estelionato ou golpe digital a cada 14 segundos. O documento também registra um homicídio a cada 13 minutos, evidenciando a gravidade da situação. Esses números servem de base para a preocupação crescente da população com a violência.
Pesquisa Nexus/BTG realizada em julho deste ano mostra que quase 30% dos brasileiros apontam a segurança pública, a violência e a criminalidade como principais preocupações nacionais. Na sequência, aparecem a corrupção, com 24%, e a saúde, com 23%, temas que tradicionalmente dominavam as prioridades do eleitorado.
Para Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, o cenário atual configura uma combinação preocupante. «Eu diria que a gente está num combo. O brasileiro está mais inseguro do que nunca e os patamares de crime e violência seguem altos, preocupando a população e, portanto, acaba sendo um baita capital político para ser usado aí nas eleições», afirmou ao Metrópoles.
O cientista político Marco Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas, destaca que a violência afeta diretamente a rotina das pessoas, o que explica sua proeminência na agenda de preocupações. «Por isso que ele tem essa proeminência na agenda de preocupação do cidadão. E, obviamente, durante a campanha eleitoral, vira um dos temas centrais pra que qualquer candidato possa debater também», analisou.
Candidatos de diferentes espectros políticos têm adotado a segurança pública como principal bandeira eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugere a criação de um ministério específico para o tema, enquanto Flávio Bolsonaro defende classificar facções criminosas como organizações terroristas, seguindo modelo adotado pelos Estados Unidos.
Outras propostas incluem o combate à violência contra a mulher, defendido por Augusto Cury, e a replicação do modelo de Nayib Bukele em El Salvador, proposta por Renan Santos. Independentemente da ideologia, especialistas ressaltam a necessidade de propostas responsáveis e baseadas em evidências.
Felippe Angeli, coordenador de advocacy do JUSTA, ressalta que os candidatos têm o dever de apresentar soluções concretas. «[Que elas] sejam baseadas em evidências, e que busquem solucionar, de fato, o problema da sociedade, e não apenas encantar eleitores, apenas para [o candidato] ser eleito e depois esquecer desses eleitores e eleitoras», destacou.
A série Na Boca da Urna, do Metrópoles, abordou o assunto em vídeo nesta quarta-feira (30/9), com análises de especialistas sobre como a segurança pública pode influenciar o resultado das eleições de 2026. O debate promete se intensificar à medida que a campanha eleitoral avança.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/seguranca-publica-eleicoes-2026

