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São Paulo

Tarcísio e Haddad levam disputa estadual ao terreno dos governos Lula e Bolsonaro em debate final

No último debate antes do primeiro turno, candidatos ao governo de São Paulo discutiram segurança, saúde e economia e nacionalizaram o confronto ao comparar as gestões federais.

Tarcísio e Haddad protagonizam debate nacionalizado às vésperas do 1º turno. Montagem Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
30 de setembro de 202601:15
Atualizado agora há pouco às 04:15

O derradeiro debate entre os candidatos ao governo de São Paulo antes do primeiro turno, realizado nos estúdios da TV Globo na zona sul da capital paulista, teve como marca a nacionalização do discurso. Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) dedicaram boa parte do encontro a comparar os governos de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), transportando para o palco estadual a polarização que domina o cenário federal.

Logo na abertura, Haddad cobrou a ausência do adversário em outros debates, lembrando que o governador havia participado de apenas um evento do tipo até então. Em seguida, o petista questionou Tarcísio sobre o avanço de facções criminosas na região de Piracicaba, no interior paulista, e perguntou se ele continuaria negando o fato.

Tarcísio rebateu citando quedas em indicadores de criminalidade e afirmou que as forças de segurança têm atuado contra organizações criminosas no estado. O governador mencionou a transferência de dois integrantes de facção que estavam na Bolívia como exemplo do combate ao crime organizado.

A troca de acusações ganhou novos contornos quando Haddad citou a prisão do ex-vereador Milton Leite (União) para criticar Tarcísio e seu aliado na capital, o prefeito Ricardo Nunes (MDB). «Tarcísio, você estava pedindo voto 15 dias atrás para os filhos do Milton Leite», afirmou o petista, que também disse que a capital é comandada por um «prefeito sombra».

O governador respondeu que sua relação com a família Leite era de natureza institucional e contra-atacou, afirmando que Haddad esteve ao lado de uma pessoa ligada a facção criminosa durante visita à Favela do Moinho, no centro de São Paulo. A discussão sobre segurança pública dominou boa parte do primeiro bloco do programa.

Na área da saúde, Haddad criticou as filas para cirurgias no estado, enquanto Tarcísio destacou investimentos de sua gestão no setor. O petista questionou o adversário sobre o estoque de procedimentos represados e a herança recebida na saúde, dando início a um novo round de acusações mútuas.

A partir daí, os candidatos passaram a debater os recursos enviados pela União a São Paulo e as políticas econômicas dos dois governos federais. Haddad e Tarcísio dedicaram vários minutos a comparar a geração de empregos e o desempenho da economia sob Lula e Bolsonaro.

«Compara os empregos que nós geramos com o que vocês geraram», disse Haddad. Tarcísio respondeu que a economia vinha patinando e que a população estava endividada, mantendo o tom de confronto nacional que marcou o encontro.

Além de segurança, saúde e economia, os candidatos também abordaram temas como educação. Tarcísio prometeu reduzir a jornada de trabalho de servidoras com filhos atípicos, enquanto Haddad apresentou a proposta do Bilhete Único Metropolitano. As propostas foram apresentadas em meio a um debate de tom acentuadamente nacionalizado.

O debate, realizado na noite de terça-feira, foi o último antes da votação do primeiro turno e reforçou a estratégia de ambos os candidatos de vincular suas candidaturas aos respectivos campos políticos nacionais. A expectativa agora é de que o clima de polarização se mantenha até a definição das urnas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tarcisio-e-haddad-protagonizam-debate-nacionalizado-as-vesperas-do-1o-turno

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