O bombeiro Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, preso sob suspeita de matar a tiros o estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, durante uma discussão de trânsito em Taubaté, no interior de São Paulo, foi solto nesta quinta-feira (1º/10) após passar por audiência de custódia. A Justiça entendeu que não havia elementos que justificassem a manutenção da prisão preventiva e concedeu liberdade provisória com a imposição de medidas cautelares.
De acordo com a decisão judicial, o bombeiro deverá comparecer em juízo a cada dois meses para informar suas atividades, além de cumprir recolhimento domiciliar noturno nos fins de semana e dias de folga. Ele também está proibido de frequentar locais de práticas ilícitas e de manter contato ou se aproximar a menos de 100 metros dos familiares da vítima. O descumprimento de qualquer uma dessas condições pode levar à decretação de sua prisão preventiva.
A Justiça determinou ainda que seja expedido ofício à Polícia Militar para que o porte de arma do bombeiro seja suspenso e para que a corporação providencie sua transferência para atividades administrativas. As medidas buscam evitar novos incidentes enquanto o caso segue em investigação.
O crime ocorreu na última quarta-feira (30/9), na Avenida Walter Thaumaturgo, em Taubaté. Segundo o boletim de ocorrência, durante o interrogatório, Marcos Paulo alegou que pensava estar sendo vítima de um assalto. Ele afirmou ter visto nas mãos do estudante um objeto de cor prateada que confundiu com uma arma de fogo. O bombeiro também declarou que a vítima teria quebrado o vidro do carro e tentado investir contra ele, momento em que efetuou os disparos.
Bruno Hashimura San Juliano foi atingido e chegou a ser levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi registrada no 1º Distrito Policial de Taubaté como homicídio consumado, com as agravantes de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. O delegado responsável pelo caso afastou a tese de legítima defesa no momento da prisão em flagrante.
Em nota enviada à reportagem, o advogado Claudio Rodrigues Moreira, que defende o bombeiro, sustentou que o cliente agiu em legítima defesa. «No momento processual oportuno, a defesa se manifestará de forma técnica acerca das provas constantes dos autos, apresentando os elementos necessários ao pleno esclarecimento dos fatos e ao exercício do contraditório», declarou o advogado.
A decisão de soltar o bombeiro gerou repercussão na região, mas a Justiça reforçou que a liberdade provisória está condicionada ao cumprimento rigoroso das medidas cautelares. A investigação prossegue para apurar as circunstâncias exatas do confronto e as responsabilidades.
Familiares da vítima não se manifestaram publicamente até o momento. O caso segue sob análise das autoridades competentes, que devem ouvir novas testemunhas e reunir imagens de câmeras de segurança para esclarecer os fatos.
A reportagem tentou contato com a defesa do bombeiro e com a Polícia Militar para comentar as determinações judiciais, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/bombeiro-que-matou-estudante-durante-briga-de-transito-e-solto-pela-justica

