O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a absolvição do empresário Wendel dos Santos Bastos, investigado na Operação Forja por suposta ligação com uma fábrica clandestina de fuzis atribuída ao Comando Vermelho (CV) no interior de São Paulo. A manifestação foi apresentada após as alegações finais do processo.
Segundo a procuradoria, não há elementos suficientes para comprovar que Bastos tenha agido de forma dolosa, ou seja, com intenção de colaborar com a organização criminosa. O MPF considerou que as provas reunidas não sustentam a acusação contra o empresário, que atua no ramo de usinagem há mais de 20 anos.
Bastos era o gestor e responsável pelo galpão industrial e pelo parque fabril de usinagem localizado em Santa Bárbara d'Oeste, no interior paulista. De acordo com a investigação, o imóvel e os maquinários foram arrendados para a empresa de fachada Kondor Fly Parts e utilizados pela organização liderada por Silas Diniz Carvalho, apontado como articulador do CV, para a montagem de uma fábrica clandestina de fuzis.
O MPF havia pedido inicialmente a prisão preventiva de Bastos, mas a Justiça Federal negou o pedido, considerando a primariedade, os bons antecedentes, a residência fixa e os vínculos familiares do empresário. Posteriormente, a procuradoria deixou de insistir na reclusão e, após as alegações finais, representou pela absolvição.
Em relação aos demais acusados, o MPF manteve o pedido de condenação e a permanência da prisão preventiva. Sete envolvidos permanecem presos, enquanto o processo segue em tramitação na Justiça Federal.
A defesa de Wendel dos Santos Bastos afirmou que ainda deve apresentar as alegações finais à Justiça e manifestou confiança em um desfecho de absolvição integral. «Confiamos no exame técnico e sereno do Poder Judiciário e no consequente desfecho de absolvição integral dos crimes atribuídos, evitando a responsabilização indevida de pessoa desvinculada de qualquer ilícito», declarou o advogado Dinael de Souza Machado Júnior.
O advogado afirmou acompanhar o caso desde o início «de maneira próxima, técnica e diligente, reiterando que sempre sustentou a inocência de seu cliente». Segundo ele, ao longo da tramitação foram adotadas medidas para resguardar as garantias de Bastos, afastando com êxito requerimentos que visavam à decretação de sua prisão preventiva e, posteriormente, à imposição de monitoramento eletrônico.
A Operação Forja investiga a estrutura montada pelo Comando Vermelho para a produção de fuzis em São Paulo, incluindo a participação de pessoas com conhecimento técnico em metalurgia e usinagem. A fábrica clandestina funcionava em um galpão industrial arrendado por meio de uma empresa de fachada.
O caso segue sob análise da Justiça Federal, que deverá decidir sobre a absolvição ou condenação dos acusados. A defesa de Bastos reforçou que aguarda a conclusão do processo com serenidade e confiança na absolvição.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpf-absolvicao-empresario-fuzis-cv

