A campanha eleitoral para o governo de São Paulo chega ao último dia antes da votação com um cenário de baixa mobilização popular e discussões centradas na corrida presidencial. A disputa entre o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) foi marcada por uma agenda nacionalizada, na qual os candidatos dedicaram parte significativa de seus esforços a apoiar seus respectivos presidenciáveis.
Pesquisas de intenção de voto indicam que Tarcísio deve ser reeleito ainda no primeiro turno, o que contribuiu para o clima de desânimo entre eleitores. O próprio governador já declarou publicamente que pretende viajar para outros estados nos próximos dias para auxiliar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um eventual segundo turno federal.
Haddad, por sua vez, admitiu em entrevista que a eleição para o Palácio dos Bandeirantes tende a se encerrar no primeiro turno, atribuindo o fato ao número reduzido de candidatos competitivos. Na sexta-feira (2), sua caminhada no ABC Paulista foi direcionada a pedir votos para Lula, e parte de seus aliados evitou citar o nome do petista nos discursos, concentrando-se em alertar sobre os riscos de uma vitória de Flávio Bolsonaro.
Na mesma data, a agenda de Tarcísio no centro da capital paulista contou com a participação de secretários estaduais e municipais que defenderam o voto no governador e também enfatizaram a necessidade de retirar o PT do comando federal. A tônica dos dois lados reforçou o caráter nacionalizado da disputa estadual, ofuscando temas locais e propostas para São Paulo.
Neste sábado (3), tanto Tarcísio quanto Haddad encerram suas campanhas ao lado dos presidenciáveis. O governador participa de ato com Flávio Bolsonaro, enquanto o petista se junta a Lula em evento na capital. A expectativa é de que os encontros sirvam mais para impulsionar as candidaturas nacionais do que para apresentar propostas específicas para o estado.
Antes mesmo do início oficial da campanha, a nacionalização já era evidente. Ambos os candidatos ocuparam cargos de destaque nos governos de Jair Bolsonaro e Lula, respectivamente, e costumavam trocar críticas citando a experiência federal do adversário. Haddad mencionava contratos assinados por Tarcísio no Ministério da Infraestrutura, enquanto o governador responsabilizava a gestão do rival no Ministério da Fazenda pelo endividamento da população.
Com o início da corrida eleitoral, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) desviou ainda mais o foco dos debates estaduais. Haddad chegou a reclamar publicamente da nacionalização e da falta de espaço para discutir projetos para São Paulo. A ausência de propostas concretas e a baixa participação popular marcaram uma das campanhas mais frias dos últimos anos no estado.
A votação ocorre neste domingo (4), e a expectativa é de que o resultado confirme a vantagem de Tarcísio nas pesquisas. Caso se confirme a vitória no primeiro turno, o governador deve se dedicar integralmente à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro nos estados onde há segundo turno. Haddad, por sua vez, deve concentrar esforços na reeleição de Lula.
A nacionalização da campanha paulista reflete uma tendência observada em outras unidades da federação, onde temas locais foram ofuscados pela polarização entre petistas e bolsonaristas. Para analistas, o fenômeno reduz a qualidade do debate democrático e enfraquece a discussão de políticas públicas específicas para cada região.
A reportagem procurou as campanhas de Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad para comentar o balanço final da disputa, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/campanha-em-sp-termina-fria-nacionalizada-e-com-poucas-propostas-debatidas

