UrgenteObra de grafiteiros da zona leste de SP ganha destaque em publicação de Ronaldo Fenômeno
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São Paulo

Obra de grafiteiros da zona leste de SP ganha destaque em publicação de Ronaldo Fenômeno

Tela 'Camisa 9 da Quebrada', do grupo Opni, foi adquirida pelo ex-jogador após ser vista em evento na zona norte de São Paulo.

Imagem mostra Ronaldo e tela com camisaFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
3 de outubro de 202611:02
Atualizado agora há pouco às 14:02

Uma tela criada por artistas do grafite da periferia de São Paulo chamou a atenção nas redes sociais ao aparecer em uma publicação de Ronaldo Fenômeno. A obra, intitulada «Camisa 9 da Quebrada», integra a série «Craques do Impossível» e foi produzida pelos artistas WOS e Nego Todd, do Grupo Opni, coletivo reconhecido internacionalmente que atua há quase 30 anos na zona leste paulistana.

O grupo é responsável por iniciativas como transformar a Vila Flávia, na região de São Mateus, em uma galeria de arte a céu aberto. Com essa trajetória, o Opni aproximou-se de outros nomes da cultura, incluindo o cantor MC Hariel, que já utilizou um trabalho do coletivo na capa do álbum «Monstro Invisível», de 2020, parceria póstuma com o rapper Sabotage.

A tela começou a ganhar o rumo da casa de Ronaldo durante o lançamento da produtora de Hariel, a Zaori, na zona norte de São Paulo, em 2025. O músico convidou o Opni para expor sua arte no evento. «Estávamos com a exposição 'Traços Periféricos', e a nossa intenção era pegar obras de artistas da periferia e deixar em locais de visibilidade maior, para ter um acesso mais central», afirmou César Mors, curador do Opni.

Segundo Mors, uma agente do ex-jogador estava presente, viu a obra «Camisa 9 da Quebrada» e enviou um vídeo a Ronaldo, dizendo que a peça tinha relação com ele. O Fenômeno se identificou e solicitou a aquisição da tela. «O Ronaldo comprou, mas não é só isso que a gente tem», contou o curador, que viu na situação uma chance de apresentar outros trabalhos ao craque.

Mors enviou então outra tela, intitulada «Nossos Príncipes e Princesas», além de azulejos, uma carta escrita à mão e uma embalagem preparada com cuidado. Ele levou o material até a casa do ex-jogador, onde seguranças informaram que Ronaldo estava viajando e não poderia recebê-lo pessoalmente.

Desde então, os artistas do Opni não tiveram mais notícias do paradeiro da tela até 23 de setembro, quando a obra surgiu atrás de Ronaldo em uma postagem de agradecimento pelas homenagens de seu aniversário de 50 anos. A publicação alcançou mais de 29 milhões de seguidores apenas no Instagram, e Mors passou a receber mensagens de pessoas que reconheceram o trabalho.

Coautor da tela, Nego Todd explicou como foi o processo criativo. «O WOS iniciou esse trabalho e, quando ele me convidou, nós sempre falávamos sobre as nossas infâncias e o sonho de sermos jogadores para fazer as transformações», disse. A obra dialoga com a trajetória de jovens da periferia que veem no esporte e na arte formas de expressão e mobilidade social.

A repercussão da publicação reacendeu o interesse pela produção do Grupo Opni e pela arte de rua paulistana. O coletivo segue atuando na valorização de artistas periféricos e na ocupação de espaços de visibilidade, levando obras para além dos muros da zona leste. A reportagem procurou Ronaldo para comentar o interesse pela obra, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/como-tela-de-grafiteiros-de-sp-foi-parar-em-video-de-ronaldo-fenomeno

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