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São Paulo

Motorista indiciado por atropelamento na 23 de Maio não pode ser preso durante período eleitoral

O condutor foi indiciado por homicídio doloso após a morte de Carlos Boulos, tio do ministro Guilherme Boulos, mas a legislação eleitoral impede a prisão durante o pleito.

Imagem colorida do acidente em que o tio de Guilherme Boulos foi atropelado na Av. 23 de MaioFoto: Reprodução/TV Globo
Raphael Nogueira Felix
6 de outubro de 202615:45
Atualizado agora há pouco às 18:45

O motorista envolvido no atropelamento que resultou na morte do cirurgião-dentista Carlos Boulos, tio do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, foi indiciado por homicídio doloso, mas não pôde ser preso nesta terça-feira (6/10). A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

O caso ocorreu na Avenida 23 de Maio, no centro da capital paulista, após uma discussão de trânsito na noite de sábado. Segundo a SSP, Carlos Boulos desceu de sua caminhonete para conversar com o outro condutor quando foi atropelado. Ele chegou a ser socorrido e permaneceu internado em estado grave no Hospital das Clínicas, mas não resistiu e faleceu na madrugada desta terça-feira.

O indiciado se apresentou espontaneamente à Polícia Civil após o período de flagrante ter sido encerrado, e prestou depoimento. Apesar da conclusão do inquérito, a prisão não foi efetuada devido ao artigo 236 do Código Eleitoral, que proíbe a detenção de eleitores nos cinco dias que antecedem o pleito e nas 48 horas seguintes, salvo em situações específicas, como flagrante delito, desrespeito a salvo-conduto ou sentença condenatória.

Com a morte da vítima, a natureza da investigação foi alterada de tentativa de homicídio para homicídio consumado. O caso está sob responsabilidade do 5º Distrito Policial, da Aclimação. A Polícia Civil informou que trabalha para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.

«A Polícia Civil identificou o autor, que prestou depoimento e foi indiciado por homicídio doloso. A autoridade policial trabalha para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário», declarou a SSP em nota.

Imagens de câmeras de segurança da região auxiliaram na identificação do veículo e do condutor, que teria fugido em alta velocidade após o ocorrido. A polícia não divulgou detalhes sobre a motivação da discussão.

O irmão do cirurgião-dentista e pai de Guilherme Boulos, Marcos Boulos, compareceu ao 14º Distrito Policial para registrar o óbito. O sepultamento deve ocorrer nos próximos dias, em local ainda não informado pela família.

A legislação eleitoral estabelece que a prisão só pode ser realizada após as 17h desta terça-feira (6/10), quando termina o período de restrição. O indiciado permanece em liberdade e poderá responder ao processo em liberdade, a menos que a Justiça decrete sua prisão preventiva.

O caso segue em investigação e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades nos próximos dias. A reportagem procurou a defesa do motorista, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/indiciado-motorista-que-matou-tio-de-boulos-nao-pode-ser-preso-entenda

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