Uma menina de 10 anos foi levada pelo próprio pai no dia 20 de setembro, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Ela permaneceu com o homem por 18 dias e foi localizada pela Polícia Militar no dia 7 de outubro, na Praia Grande, no litoral paulista. O suspeito, identificado como Wellington Ferreira da Silva, foi preso.
Segundo relato da mãe ao portal Metrópoles, a criança passou o período sem alimentação adequada e dormiu na rua. A mulher afirmou que viveu dias de desespero e acionou a Polícia Militar e a Justiça. A Justiça expediu mandado de prisão contra o pai e concedeu à mãe a guarda total da menina.
A mãe só teve notícias da filha no 12º dia após o desaparecimento. De acordo com ela, o homem usou o celular da criança para enviar mensagens pedindo dinheiro. «Ele tava vivendo em situação de rua. Aí, ele mandava foto pra mim dela na chuva, dela deitada na calçada, dormindo na rua. E falava: ‘me manda dinheiro, porque o meu dinheiro acabou’», contou.
A menina relatou à mãe que o pai usava drogas e ingeria bebida alcoólica na frente dela, mas não fornecia comida. «Ela falava ‘pai, minha barriga tá doendo de fome’ e ele mandava ela pedir nas lanchonetes, restaurantes, pedir na rua», disse a genitora.
Durante o período em que estiveram juntos, pai e filha percorreram longas distâncias. Os dois chegaram a passar por Curitiba, no Paraná, mas retornaram ao estado de São Paulo. Após o resgate, a criança precisou de atendimento médico para tratar uma ferida no pé, conforme informou a mãe.
O homem recebeu ajuda de uma cunhada, com quem se encontrou durante os 18 dias, e de quem recebeu R$ 2 mil. Wellington tem um histórico de violência. Em um relacionamento anterior, quando ainda era menor de idade, ele atirou contra a então companheira, deixando-a paraplégica.
O relacionamento com a mãe da menina durou 11 anos. Nos últimos seis, segundo o relato, ele passou a usar drogas e a ser violento, agredindo a mulher com frequência. Em um dos episódios, quebrou a mandíbula dela. Quatro meses antes do sequestro, a relação foi encerrada.
A mulher acionou a Justiça pedindo medida protetiva para ela e para a filha, mas apenas a dela foi concedida. De acordo com a mãe, após a separação, Wellington nunca procurou a filha, mas enviava mensagens com ameaças de morte, dizendo que mataria a menina para atingir a mulher.
No dia 19 de setembro, mãe e filha caminhavam juntas na rua quando Wellington se aproximou e mostrou um revólver, exigindo que as duas o acompanhassem. «A minha filha falou assim: ‘mãe, vamos junto com meu pai, porque senão ele vai te bater, ele vai te fazer mal’», lembrou a mulher.
Ele pediu um carro por aplicativo e os três seguiram para um hotel em Barueri. Segundo a mulher, tudo parecia combinado. O recepcionista não pediu documento das duas e permitiu que seguissem para um quarto com o suspeito, mesmo com a mãe da criança afirmando que estava ali contra a vontade. No quarto, a mãe alertou à Polícia Militar, que iniciou as buscas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/os-18-dias-menina-sequestrada-pai

