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São Paulo

Irmã lamenta morte de jovem baleado pela PM em Moema e pede mais amor em despedida

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto durante ocorrência de ocorrência com risco à vida na zona sul de São Paulo; quatro policiais foram afastados e o caso é investigado.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Raphael Nogueira Felix
13 de outubro de 202612:09
Atualizado agora há pouco às 15:09

A morte de Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, durante uma abordagem da Polícia Militar em Moema, na zona sul de São Paulo, mobilizou familiares e amigos nas redes sociais. O jovem foi baleado no dia 10 de outubro, após os policiais serem acionados para atender uma ocorrência de ocorrência com risco à vida.

Em publicação feita na segunda-feira (12), a irmã de Gustavo, Beatriz Munis, escreveu uma mensagem emocionada. «Eu devia ter te falado ‘te amo’ mais vezes», declarou. Em outro post, ela agradeceu o apoio recebido após o velório: «Meu menino está nos braços de Deus, em paz».

Segundo o Boletim de Ocorrência, os policiais relataram que o jovem desrespeitou as ordens da corporação e apontou o que parecia ser uma arma. Ele estava com um celular. A Polícia Militar informou que os agentes dispararam após essa suposta ameaça. No total, conforme apurado, foram efetuados 45 tiros, dos quais 27 atingiram Gustavo.

Amigos também se despediram nas redes sociais. Um deles publicou uma carta em que destacou a personalidade do jovem: «Desde quando a gente se conheceu, eu sentia uma energia diferente em você, uma felicidade, uma luz. Você era único, meu irmão». Outro relato lembra que Gustavo, embora reservado, demonstrava gratidão e carinho pela família.

Uma prima afirmou que o jovem era atencioso com os familiares e se preparava para prestar vestibular para o curso de engenharia mecânica. A trajetória de Gustavo, marcada pelo estudo e pelo convívio próximo com parentes e amigos, contrasta com a violência da abordagem que resultou em sua morte.

Ao menos quatro policiais militares foram afastados de atividades operacionais no domingo (11) por envolvimento no caso. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou, em nota, que as circunstâncias são investigadas pelas polícias Civil e Militar, esta última por meio de Inquérito Policial Militar.

A família de Gustavo, por meio de advogada, manifestou a percepção de que houve motivação racial na ação policial. O caso segue sob apuração e não há conclusão oficial sobre as responsabilidades. A SSP não detalhou prazos para a conclusão das investigações.

O episódio reacende o debate sobre a conduta policial em ocorrências que envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade. Especialistas ouvidos reservadamente apontam a necessidade de protocolos mais claros para atendimentos dessa natureza, mas não há posicionamento oficial sobre mudanças nos procedimentos.

A morte de Gustavo ocorreu na madrugada de sábado (10), em via pública de Moema. Imagens do local mostraram marcas de disparos em portões e paredes de um estabelecimento próximo. A quantidade de tiros e a versão apresentada pelas autoridades são os principais pontos sob investigação.

O velório do jovem foi realizado na zona sul da capital paulista. A família aguarda o avanço das apurações e cobra respostas sobre a abordagem que terminou com a morte de Gustavo. O Metrópoles SP segue acompanhando o caso.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/te-amo-irma-jovem-morto-27-tiros

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