Gravações de ligações para o número de emergência 190, obtidas pelo portal Metrópoles, indicam que Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, teria se apresentado com outro nome ao acionar a Polícia Militar antes de ser morto com 27 tiros por agentes da corporação. O caso ocorreu na madrugada de 10 de outubro, em Moema, na zona sul da capital paulista.
Segundo o conteúdo das chamadas, na primeira ligação o jovem teria se identificado como Gabriel e relatado a presença de um rapaz sentado em uma passarela, como se estivesse escondido. Questionado pela atendente sobre uma possível abordagem, ele teria respondido que o homem apenas permanecia no local, sem outras informações.
Em um segundo contato com a central, o interlocutor afirmou que a viatura havia passado, mas que a situação teria mudado. Ele relatou que o rapaz mencionou intenção de tirar a própria vida, dizendo estar armado, e que caminhava de um lado para o outro sobre a passarela. Na sequência, a atendente perguntou se a pessoa estava armada, e o homem disse não ter conseguido identificar nenhum objeto.
A defesa de Gustavo divulgou nota ao Metrópoles afirmando que ele não possuía histórico de tentativas de tirar a própria vida ou de lesões autoinfligidas e que, no momento da morte, não fazia uso de medicamentos. A família também afirmou que as informações já haviam sido comunicadas ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) pela mãe do jovem.
«Além de terem sido vítimas de uma ação policial brutal, Gustavo e sua família vêm sofrendo os efeitos da violência institucional, agora agravada por declarações oficiais que desconsideram a memória e a história de Gustavo e divulgam informações inverídicas a seu respeito», diz trecho da nota da defesa.
Quatro policiais militares foram afastados de atividades operacionais após o episódio. A Secretaria da Segurança Pública informou que apura a conduta dos agentes em inquérito, sem detalhar prazos ou conclusões preliminares.
O caso gerou repercussão em São Paulo e motivou questionamentos sobre o uso da força por agentes de segurança. Autoridades estaduais têm se manifestado publicamente sobre a investigação, enquanto a família cobra esclarecimentos e responsabilização.
A reportagem procurou os órgãos envolvidos para novos posicionamentos e segue acompanhando o andamento das apurações. Não há, até o momento, conclusão oficial sobre as circunstâncias que levaram à morte do jovem.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/jovem-morto-com-27-tiros-pela-pm-teria-se-passado-por-outra-pessoa-no-190

