UrgenteÁudios do 190 mostram que jovem morto pela PM em Moema teria simulado pedido de socorro
← Voltar

São Paulo

Áudios do 190 mostram que jovem morto pela PM em Moema teria simulado pedido de socorro

Gravações obtidas pelo Metrópoles indicam que Gustavo Munis de Santana ligou para a PM se passando por outra pessoa antes de ser morto com 27 tiros em Moema, na zona sul de São Paulo.

Momento em que jovem de 20 anos foi morto com 27 tiros em Moema. Imagem cedida ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
14 de outubro de 202618:50
Atualizado agora há pouco às 21:50

Gravações de ligações para o número de emergência 190, obtidas pelo portal Metrópoles, indicam que Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, teria se apresentado com outro nome ao acionar a Polícia Militar antes de ser morto com 27 tiros por agentes da corporação. O caso ocorreu na madrugada de 10 de outubro, em Moema, na zona sul da capital paulista.

Segundo o conteúdo das chamadas, na primeira ligação o jovem teria se identificado como Gabriel e relatado a presença de um rapaz sentado em uma passarela, como se estivesse escondido. Questionado pela atendente sobre uma possível abordagem, ele teria respondido que o homem apenas permanecia no local, sem outras informações.

Em um segundo contato com a central, o interlocutor afirmou que a viatura havia passado, mas que a situação teria mudado. Ele relatou que o rapaz mencionou intenção de tirar a própria vida, dizendo estar armado, e que caminhava de um lado para o outro sobre a passarela. Na sequência, a atendente perguntou se a pessoa estava armada, e o homem disse não ter conseguido identificar nenhum objeto.

A defesa de Gustavo divulgou nota ao Metrópoles afirmando que ele não possuía histórico de tentativas de tirar a própria vida ou de lesões autoinfligidas e que, no momento da morte, não fazia uso de medicamentos. A família também afirmou que as informações já haviam sido comunicadas ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) pela mãe do jovem.

«Além de terem sido vítimas de uma ação policial brutal, Gustavo e sua família vêm sofrendo os efeitos da violência institucional, agora agravada por declarações oficiais que desconsideram a memória e a história de Gustavo e divulgam informações inverídicas a seu respeito», diz trecho da nota da defesa.

Quatro policiais militares foram afastados de atividades operacionais após o episódio. A Secretaria da Segurança Pública informou que apura a conduta dos agentes em inquérito, sem detalhar prazos ou conclusões preliminares.

O caso gerou repercussão em São Paulo e motivou questionamentos sobre o uso da força por agentes de segurança. Autoridades estaduais têm se manifestado publicamente sobre a investigação, enquanto a família cobra esclarecimentos e responsabilização.

A reportagem procurou os órgãos envolvidos para novos posicionamentos e segue acompanhando o andamento das apurações. Não há, até o momento, conclusão oficial sobre as circunstâncias que levaram à morte do jovem.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/jovem-morto-com-27-tiros-pela-pm-teria-se-passado-por-outra-pessoa-no-190

Polícia MilitarSão PauloMoemainvestigaçãosegurança públicaia-auto