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São Paulo

Haddad minimiza risco de demissões com fim da escala 6x1 e diz que reações são alarmismo

Ex-ministro da Fazenda afirma que transição para jornada 5x2 terá adaptação e critica resistência de setores contrários à mudança aprovada pelo Senado.

Fernando HaddadFoto: Reprodução/UOL
Raphael Nogueira Felix
15 de outubro de 202613:51
Atualizado agora há pouco às 16:51

O ex-ministro da Fazenda e coordenador da campanha do presidente Lula em São Paulo, Fernando Haddad (PT), minimizou nesta quinta-feira (15/10) a possibilidade de aumento de demissões após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a escala de trabalho 6x1. Segundo ele, as reações contrárias configuram alarmismo.

«Tem muito alarmismo, faz parte do jogo, o alarmismo da parte daqueles que se sentem prejudicados. Mas você está falando de uma minoria, num país com altíssima taxa de concentração de renda, que resiste a toda forma de redistribuição da riqueza e do bem-estar. Então, eu imagino que isso vai passar. Tem um prazo de transição, como você sabe, tem adequações que vão ser feitas, e as coisas vão transcorrer normalmente», declarou Haddad em entrevista ao portal UOL.

A PEC foi aprovada no Senado Federal na noite de quarta-feira (14/10), após dois turnos de votação, com 75 votos favoráveis e um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Três senadores não participaram: Rogério Marinho (PL-RN), Ciro Nogueira (PP-PI) e Marcio Bittar (PL-AC).

O texto aprovado substitui o modelo de seis dias de trabalho por um de descanso pela jornada de cinco dias trabalhados e dois de folga, em média, sem redução salarial. A carga horária semanal, atualmente de 44 horas, será reduzida para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da Emenda Constitucional e, um ano depois, para 40 horas.

Haddad comparou a transição a outros momentos de adaptação da economia brasileira, como quando houve aumento do salário mínimo, e afirmou acreditar que o setor produtivo se ajustará ao novo formato. Ele ressaltou que o período de transição previsto na proposta permite adequações graduais.

A mudança na escala de trabalho tem gerado debates entre empregadores e trabalhadores. Entidades patronais manifestaram preocupação com possíveis impactos nos custos operacionais e na manutenção de empregos, enquanto centrais sindicais defendem a medida como avanço nas condições laborais.

A proposta ainda precisa passar por outras etapas antes de entrar em vigor, incluindo a promulgação. O texto estabelece um cronograma escalonado para a redução da carga horária, começando pelas 42 horas e depois as 40 horas semanais.

O ex-ministro também criticou a resistência de setores que, segundo ele, se opõem a qualquer forma de redistribuição de renda e bem-estar. Para Haddad, o debate deve ocorrer com base em dados e não em projeções alarmistas.

A aprovação da PEC no Senado foi acompanhada por manifestações de diferentes setores da sociedade. O tema segue em discussão e deve ser um dos assuntos centrais na agenda política e econômica dos próximos meses.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-diz-que-ameacas-de-demissao-com-fim-da-escala-6x1-e-alarmismo

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