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São Paulo

Novo impulsiona ataques à esquerda com R$ 78 mil e tem anúncios suspensos pela Justiça Eleitoral

Ricardo Salles e Marina Helena, do Novo, gastaram R$ 78,4 mil em impulsionamento de propaganda negativa no primeiro turno; TRE-SP suspendeu anúncios e multou Salles em R$ 61 mil.

Foto: Victor San/Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
15 de outubro de 202603:00
Atualizado agora há pouco às 06:00

O ex-ministro Ricardo Salles e a deputada federal eleita Marina Helena, ambos filiados ao partido Novo em São Paulo, destinaram pelo menos R$ 30,9 mil e R$ 47,5 mil, respectivamente, ao impulsionamento de conteúdos contra a esquerda nas redes sociais durante o primeiro turno das eleições. O total gasto pelos dois chega a R$ 78,4 mil.

As informações constam em processos que tramitaram no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Em decisão publicada em 9 de outubro, a corte determinou a suspensão de nove anúncios de propaganda negativa veiculados por Marina. Em setembro, Salles já havia sido alvo de entendimento semelhante, com 32 posts impulsionados retirados do ar.

As representações foram apresentadas pela coligação Desperta São Paulo, integrada pelas federações Brasil da Esperança e PSol-Rede, além dos partidos PDT e PSB. Ao todo, Marina foi alvo de duas ações por recortes de vídeos promovidos em momentos distintos, enquanto Salles respondeu a uma.

Além da suspensão dos anúncios, a Justiça Eleitoral aplicou multa de R$ 61 mil a Ricardo Salles, o dobro da estimativa mínima gasta por ele com os impulsionamentos, que ficou pouco acima de R$ 30 mil. A decisão considerou que cinco dos oito grupos de posts analisados continham propaganda eleitoral negativa contra adversários.

Os anúncios de Salles foram veiculados em seus perfis no Facebook e Instagram e receberam impulsionamento entre 24 e 30 de agosto. No caso de Marina, a primeira representação resultou na suspensão de 11 anúncios pagos, impulsionados entre 11 e 14 de setembro nas mesmas plataformas, com críticas a programas assistenciais.

Procurados pelo Metrópoles, ambos não negaram o impulsionamento. O ex-ministro justificou a prática como forma de combater a corrupção e o PT, afirmando que qualquer ação com essa finalidade «vale a pena». «Contra a corrupção, e contra o PT, tudo vale a pena», declarou Salles.

Marina Helena, por sua vez, explicou que uma das representações foi aberta após ela ter chamado um rapaz de «petista» em um podcast. Ela não se pronunciou especificamente sobre a promoção dos anúncios, mas aproveitou o pedido de resposta para voltar a atacar o PT. «Já fui processada pela coligação do PT por chamar um rapaz de ‘petista’ num podcast. Sim, petista! Eles próprios parecem considerar o termo um insulto. E, ao contrário deles, que mentem sobre tudo, […] eu só falei verdades!», disse, em nota.

A representação contra Salles analisou 90 anúncios custeados com recursos de campanha, divididos em oito grupos classificados de A a H. Desses, cinco foram considerados ilícitos por configurarem propaganda eleitoral negativa. A decisão do TRE-SP reforça o entendimento de que o impulsionamento pago não pode ser usado para veicular ataques a adversários.

Os casos seguem em tramitação na Justiça Eleitoral, e as suspensões determinadas pelo TRE-SP valem até o julgamento definitivo das representações. Procurados, os partidos e coligações envolvidos não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/salles-e-marina-helena-gastaram-r-78-mil-impulsionando-ataques-a-esquerda

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