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Mulher é baleada por PM na zona norte de SP após avançar com faca; ex-namorado relata ameaças

Camila Pereira da Silva, de 32 anos, morreu após ser baleada por um policial militar na Rua Mutinga, no Parque São Domingos; o DHPP e a Corregedoria apuram o caso e a conduta do agente, preso por homicídio.

Mulher tentou matar ex com faca antes de ser morta em suposto surto por PMFoto: Redes sociais/Divulgação
Raphael Nogueira Felix
16 de outubro de 202609:40
Atualizado agora há pouco às 12:55

Uma mulher de 32 anos morreu após ser baleada por um policial militar na tarde de quinta-feira (15), na Rua Mutinga, no Parque São Domingos, região norte de São Paulo. Camila Pereira da Silva portava uma faca quando avançou contra os agentes, segundo relatos policiais, e foi atingida por um único disparo.

O policial militar André Coelho Maximo Da Costa, de 30 anos, foi preso acusado de homicídio durante a apresentação da ocorrência. A arma usada no disparo foi apreendida para perícia. O Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a Corregedoria da Polícia Militar investigam as circunstâncias do caso e a conduta do agente.

Segundo a Polícia Civil, a denúncia que levou os policiais ao local partiu do ex-namorado da vítima, que afirmou estar sendo perseguido por ela. O homem prestou depoimento no DHPP horas após a morte de Camila e relatou uma sequência de episódios de agressividade após o fim do relacionamento, ocorrido há cerca de cinco meses.

No depoimento, o ex-companheiro disse que Camila teria ido até a casa dele com a intenção de matá-lo. Com medo, ele deixou a residência e acionou a polícia. De acordo com o relato, a mulher também teria ameaçado funcionários dele e a ex-sogra.

Os policiais que atenderam a ocorrência narraram que deram ordens para que Camila largasse a faca. Ela, no entanto, teria mantido a arma branca e avançado na direção dos agentes, momento em que foi baleada. A vítima caiu no local e não resistiu.

Em posicionamento oficial sobre o caso, a Secretaria da Segurança Pública declarou:

“A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não tolera desvios de conduta. O policial militar que efetuou o disparo contra a mulher no Parque São Domingos, na tarde desta quinta (15), foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investigará todas as circunstâncias do caso. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto e terá acompanhamento da Corregedoria da PM. O local foi preservado pelas equipes da Polícia Militar até a chegada de equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal. A arma do policial foi apreendida para ser periciada.”

A pasta não detalhou prazos para a conclusão das investigações.

O caso reacende a discussão sobre abordagens policiais a pessoas em crise de saúde mental. Especialistas em segurança pública defendem que ocorrências envolvendo indivíduos em surto exigem protocolos específicos, com prioridade para contenção não letal e acionamento de equipes de saúde.

A morte de Camila ocorre em meio a um aumento de casos de intervenções policiais com resultado fatal na capital paulista. Dados de transparência da própria corporação mostram que a letalidade em ações de policiais militares segue como tema sensível na gestão da segurança pública estadual.

As imagens do circuito de segurança da região, divulgadas pela imprensa, mostram o momento da abordagem. A gravação é usada pela Corregedoria para reconstituir a sequência de fatos e verificar se houve excesso na ação do policial.

O corpo de Camila foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). A defesa do policial preso não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mulher-tentou-matar-ex-antes-ser-morta-surto-pm

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