Uma mulher de 32 anos morreu após ser baleada por um policial militar na tarde de quinta-feira (15), na Rua Mutinga, no Parque São Domingos, região norte de São Paulo. Camila Pereira da Silva portava uma faca quando avançou contra os agentes, segundo relatos policiais, e foi atingida por um único disparo.
O policial militar André Coelho Maximo Da Costa, de 30 anos, foi preso acusado de homicídio durante a apresentação da ocorrência. A arma usada no disparo foi apreendida para perícia. O Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a Corregedoria da Polícia Militar investigam as circunstâncias do caso e a conduta do agente.
Segundo a Polícia Civil, a denúncia que levou os policiais ao local partiu do ex-namorado da vítima, que afirmou estar sendo perseguido por ela. O homem prestou depoimento no DHPP horas após a morte de Camila e relatou uma sequência de episódios de agressividade após o fim do relacionamento, ocorrido há cerca de cinco meses.
No depoimento, o ex-companheiro disse que Camila teria ido até a casa dele com a intenção de matá-lo. Com medo, ele deixou a residência e acionou a polícia. De acordo com o relato, a mulher também teria ameaçado funcionários dele e a ex-sogra.
Os policiais que atenderam a ocorrência narraram que deram ordens para que Camila largasse a faca. Ela, no entanto, teria mantido a arma branca e avançado na direção dos agentes, momento em que foi baleada. A vítima caiu no local e não resistiu.
Em posicionamento oficial sobre o caso, a Secretaria da Segurança Pública declarou:
“A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não tolera desvios de conduta. O policial militar que efetuou o disparo contra a mulher no Parque São Domingos, na tarde desta quinta (15), foi preso em flagrante e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investigará todas as circunstâncias do caso. Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto e terá acompanhamento da Corregedoria da PM. O local foi preservado pelas equipes da Polícia Militar até a chegada de equipes do Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal. A arma do policial foi apreendida para ser periciada.”
A pasta não detalhou prazos para a conclusão das investigações.
O caso reacende a discussão sobre abordagens policiais a pessoas em crise de saúde mental. Especialistas em segurança pública defendem que ocorrências envolvendo indivíduos em surto exigem protocolos específicos, com prioridade para contenção não letal e acionamento de equipes de saúde.
A morte de Camila ocorre em meio a um aumento de casos de intervenções policiais com resultado fatal na capital paulista. Dados de transparência da própria corporação mostram que a letalidade em ações de policiais militares segue como tema sensível na gestão da segurança pública estadual.
As imagens do circuito de segurança da região, divulgadas pela imprensa, mostram o momento da abordagem. A gravação é usada pela Corregedoria para reconstituir a sequência de fatos e verificar se houve excesso na ação do policial.
O corpo de Camila foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). A defesa do policial preso não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mulher-tentou-matar-ex-antes-ser-morta-surto-pm

