A comunicação das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial incorporou memes e referências da cultura pop como ferramentas centrais para atrair a atenção do eleitorado nas plataformas digitais. A disputa por engajamento se concentra especialmente no WhatsApp, onde canais batizados de «Exército do Lula» e «Tropa do Flávio» buscam ampliar suas bases de seguidores.
Até a tarde da última sexta-feira (23/10), o grupo de transmissão coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) somava 9,8 milhões de inscritos, enquanto o canal criado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) registrava 2,1 milhões de participantes.
A utilização de montagens e conteúdos gerados com inteligência artificial, que já era uma prática consolidada entre grupos de direita, tem se fortalecido também na esquerda como recurso para ampliar a disseminação de mensagens. No encerramento de uma transmissão ao vivo do canal «Exército de Lula», na quinta-feira (22/10), Janones fez um apelo que evidencia a estratégia adotada: «Inundem as redes sociais de memes. O meme está furando bolha demais, porque quem não gosta de consumir conteúdo político consome entretenimento».
Para o estrategista político Felipe Soutello, a digitalização do debate eleitoral é um fator decisivo, embora não substitua as formas tradicionais de campanha. «A campanha digital é inevitável e importantíssima para todo mundo, embora sozinha não dê conta de fazer tudo. Ela precisa estar integrada nas campanhas tradicionais, você precisa ter uma força analógica grande. A campanha digital é a mais relevante para a mobilização e disseminação das ideias, mas é preciso você ter outras coisas também», avalia.
Desde o fim do primeiro turno, mensagens com termos como «Explode» e «Urgente», além de vídeos com fundo preto, têm se multiplicado nas redes. As montagens produzidas com inteligência artificial incluem desde candidatos ocupando o lugar de cantoras pop em clipes musicais até participações em programas de auditório e reality shows que repercutiram na internet.
Entre os exemplos que circularam, o presidente Lula aparece em uma montagem no lugar do jogador argentino Enzo Fernandez, enquanto Flávio Bolsonaro é retratado como o cantor Leo Santana durante uma participação em um programa de entrevistas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também foi incluído em conteúdos semelhantes.
O alcance dessas ações é favorecido pelo tamanho da população conectada. Segundo dados citados na reportagem, o Brasil possuía 168,7 milhões de usuários de internet em 2025, o equivalente a 90,5% da população com 10 anos ou mais. Esse contingente representa um eleitorado potencial para as campanhas digitais, que buscam converter engajamento em apoio efetivo.
A reportagem original também menciona que a Meta deverá prestar esclarecimentos sobre a distribuição de conteúdo político e o uso de inteligência artificial em suas plataformas. Procurada, a empresa não se manifestou até a publicação da matéria.
A integração entre estratégias digitais e tradicionais segue como desafio para as equipes de campanha, que precisam equilibrar a viralização de conteúdos com a consistência da mensagem política. Especialistas apontam que a mobilização online, embora relevante, não é suficiente para garantir votos sem o suporte de ações presenciais e de estrutura partidária.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/como-memes-e-cultura-pop-impulsionaram-mobilizacao-de-lula-e-flavio

