A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (27) a terceira fase da Operação Ouro Reverso, que investiga um esquema de roubo, receptação, descaracterização e revenda de joias de ouro na capital paulista. A ação resultou na interdição de uma joalheria no centro da cidade e em decisões judiciais de bloqueio financeiro que somam centenas de milhões de reais.
As investigações tiveram origem no latrocínio do ciclista Vitor Medrado, morto a tiros em 13 de fevereiro do ano passado enquanto pedalava na zona oeste de São Paulo. A partir desse caso, os agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) passaram a apurar uma rede mais ampla dedicada ao comércio ilegal de ouro.
Em maio, a primeira fase da operação prendeu Rony Gonçalves, apontado como o principal negociador de objetos de ouro roubados na cidade. Segundo a polícia, ele integrava o grupo liderado por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como «Mainha do Crime» e suspeita de participação no homicídio do ciclista. A mulher é acusada de facilitar as ações criminosas, emprestando motocicletas, capacetes e armas para que os comparsas se passassem por entregadores de aplicativo.
A Justiça determinou bloqueios de até R$ 351 milhões para as empresas envolvidas e de cerca de R$ 73 milhões para as pessoas físicas do grupo. A decisão foi tomada em 13 de outubro. Também foi autorizada a interdição da Joalheria Vidal, localizada na região da Sé, por 180 dias. No local, de acordo com as autoridades, ocorria a receptação, a avaliação, a fusão e a descaracterização do ouro, que depois era reinserido no mercado como joia legítima.
De acordo com a investigação, o esquema funcionava em três núcleos. O primeiro era responsável pelos roubos e pela receptação inicial dos objetos. O segundo cuidava de avaliar e transformar o ouro roubado em novas peças, que eram vendidas em lojas do centro paulistano como se fossem produtos regulares. O terceiro núcleo tinha a função de movimentar, ocultar e dissimular os recursos obtidos, usando empresas de fachada, laranjas, depósitos fracionados em espécie, operações com cartão e sucessivas transferências via Pix.
A operação desta terça-feira representa um desdobramento do caso que começou com a morte do ciclista e expôs uma estrutura milionária de comércio ilegal de ouro na capital. As autoridades não informaram o número de pessoas presas nesta nova fase até o momento da publicação desta reportagem.
Procurada, a defesa dos investigados não se manifestou até a conclusão desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.
A Joalheria Vidal também foi procurada, mas não houve retorno até a publicação. A reportagem não localizou representantes das empresas citadas nas decisões judiciais.
O caso segue em apuração pela Polícia Civil, que não descarta novas fases da operação para identificar outros participantes do esquema. As penas para os crimes investigados podem variar conforme o grau de participação de cada suspeito.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/morte-de-vitor-medrado-a-milhoes-em-joias-o-rastro-sangrento-do-ouro-em-sp

