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São Paulo

Mãe relata que filho em coma foi transferido de UTI por risco de contaminação em hospital de SP

Boletim de ocorrência obtido pelo Metrópoles aponta que bebê de sete meses morreu após complicações; Polícia Civil investiga mortes de 36 recém-nascidos no Hospital Salvalus.

Morte de 36 bebês: paciente em coma deixou UTI por risco de contaminação. Getty Images
Raphael Nogueira Felix
28 de outubro de 202602:06
Atualizado agora há pouco às 05:06

Uma mãe que perdeu o filho de sete meses internado no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, relatou à Polícia Civil que ouviu de um médico que a transferência do bebê da UTI para a enfermaria seria mais segura devido à concentração de bactérias na unidade intensiva. A informação consta em boletim de ocorrência obtido pelo portal Metrópoles.

Segundo o relato, Gael França da Silva deu entrada no hospital em abril deste ano com quadro de febre e permaneceu em coma induzido na UTI. A criança morreu em 30 de julho, e a certidão de óbito apontou choque séptico, encefalopatia hipóxico-isquêmica, sepse e pneumonia.

A mãe contou à polícia que o bebê havia sido atendido inicialmente em outra unidade da rede HapVida NotreDame Intermédica, o Hospital Nossa Senhora do Rosário, com febre. Na ocasião, a equipe médica identificou inflamação na garganta e prescreveu amoxicilina e dipirona em gotas, sem solicitar exames complementares.

No dia seguinte, com queda de temperatura e palidez, Gael foi levado ao Hospital Salvalus. Um médico identificou sinais de possível infecção pulmonar e pediu exames, incluindo hemograma, que confirmaram um processo infeccioso. O bebê foi então transferido para a UTI.

De acordo com o depoimento, Gael precisou de medicação intravenosa administrada no pé devido à dificuldade de acesso às veias. Ele também foi entubado. Dias depois, o local da aplicação necrosou, e um especialista vascular avaliou o membro sem conseguir reverter a condição. A mãe também percebeu ressecamento nos olhos do bebê durante a internação, com posterior comprometimento da visão.

Mais de um mês após ser encaminhado à UTI, no fim de maio, o bebê foi transferido para a enfermaria ainda inconsciente, sob a justificativa de alta concentração de bactérias na UTI. Preocupada, a mãe comprou por conta própria um oxímetro para monitorar a saturação de oxigênio da criança. Ao identificar queda nos níveis, pediu o retorno dele à UTI.

O Hospital Salvalus é alvo de inquérito da Polícia Civil de São Paulo para apurar a morte de 36 bebês. A reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito e a relatos de 36 mães. A rede HapVida afirmou que os casos possuem históricos clínicos distintos e que colabora com as autoridades para os esclarecimentos necessários.

Além da investigação policial, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), o Conselho Regional de Medicina (Cremesp) e a Vigilância Sanitária apuram as mortes. O Ministério Público de São Paulo também já havia aberto procedimento sobre o hospital.

A reportagem procurou o Hospital Salvalus e a rede HapVida para comentar as informações do boletim de ocorrência e aguardava retorno até a publicação desta matéria.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/morte-de-36-bebes-paciente-em-coma-deixou-uti-por-risco-de-contaminacao

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