A Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo instaurou, nesta quinta-feira (29), uma investigação para apurar a conduta de policiais militares envolvidos em uma ocorrência que terminou com um homem de 30 anos baleado na quarta-feira (28), em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. O suspeito está detido sob escolta policial.
De acordo com a corporação, o caso ocorreu na Rua Flor de Amora, no bairro Jardim das Flores. Imagens obtidas pela reportagem mostram o homem arremessando objetos contra uma viatura da PM em pelo menos duas ocasiões. Cerca de oito minutos depois, ao ver os policiais desembarcando do veículo, ele teria jogado outro objeto e avançado na direção da equipe com uma faca na mão.
Segundo a versão apresentada pela PM, o homem gritava palavras de ordem para que os agentes atirassem. Dois disparos foram efetuados pelos policiais, que atingiram o suspeito. Ele caiu ao chão e, em seguida, as equipes solicitaram socorro. Outros policiais chegaram ao local para prestar apoio.
A Polícia Militar informou que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para esclarecer as circunstâncias da ação. A corporação afirmou também que a equipe dispunha de arma de incapacitação neuromuscular, mas que a curta distância e a rapidez da agressão impediram o uso do equipamento.
O caso foi registrado no 1º Distrito Policial de Osasco. A Polícia Civil investiga se o homem estava em suposto surto no momento da ocorrência. Ele permanece preso e à disposição da Justiça, sob acompanhamento médico.
A Corregedoria da PM apura se houve excesso na conduta dos policiais ou se a reação foi proporcional à ameaça representada pelo suspeito. O resultado da investigação deve ser encaminhado ao Ministério Público e à Justiça Militar.
Especialistas em segurança pública ouvidos sob condição de anonimato lembram que casos envolvendo uso de força letal por agentes do Estado costumam passar por duas frentes: a apuração administrativa, feita pela Corregedoria, e a criminal, conduzida pela Polícia Civil. A conclusão de uma não necessariamente interfere na outra.
A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo para obter mais detalhes sobre o andamento das investigações e sobre o estado de saúde do suspeito, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
O episódio reacende o debate sobre o protocolo de abordagem a pessoas em crise psiquiátrica e sobre a disponibilidade de equipamentos de menor potencial ofensivo nas equipes de patrulhamento. A PM não informou se os policiais envolvidos foram afastados de suas funções durante a apuração.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/corregedoria-abre-investigacao-para-apurar-baleado-que-avancou-contra-pm

