A soldado da Polícia Militar Deisy Aparecida Cardoso Romão declarou nesta quinta-feira (29) que não realizou o teste do bafômetro em Fernando Sastre de Andrade Filho porque a viatura em que estava não possuía o equipamento. O depoimento ocorreu no segundo dia do julgamento do empresário, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), segundo informações do portal Metrópoles.
Fernando Sastre é acusado de homicídio qualificado e lesão corporal gravíssima pela colisão que provocou a morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, em 31 de março de 2024, na zona leste da capital paulista. O empresário dirigia um Porsche em alta velocidade quando atingiu o carro da vítima.
De acordo com a policial, a mãe de Sastre alegou que o filho precisava ser levado a um hospital devido a um sangramento no nariz. Ela afirmou que autorizou a liberação por ter sido enganada pela genitora do empresário, que não foi encontrado na unidade médica posteriormente.
«Não tinha bafômetro na viatura. A iluminação do local estava prejudicada e não notei sinais de embriaguez que impedissem o encaminhamento», declarou a soldado durante o depoimento, conforme o Metrópoles. Ela acrescentou que não havia outra viatura disponível para atender o ferimento do empresário no momento.
Questionada sobre a retenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Sastre, a policial disse não se recordar, pois precisava qualificar Marcus Vinicius Machado Rocha, passageiro do Porsche que fraturou quatro costelas no acidente. Segundo ela, a qualificação de Marcus foi feita no hospital, já que ele não estava no local da ocorrência.
Enquanto a soldado estava no pronto-socorro, um colega de corporação ligou para a mãe de Sastre para obter informações sobre o paradeiro e o estado de saúde do empresário. A mulher teria informado que o filho havia sido atendido, mas ele não foi localizado na unidade.
O julgamento de Fernando Sastre prossegue no TJSP. A defesa do empresário e a acusação devem apresentar novas testemunhas e argumentos nos próximos dias. O caso ganhou repercussão nacional por envolver um carro de luxo em alta velocidade e a morte de um trabalhador de aplicativo.
A reportagem procurou a defesa de Fernando Sastre e a Polícia Militar para comentar as declarações da soldado, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-que-liberou-sastre-estava-sem-bafometro-e-diz-ter-sido-enganada-por-mae

