Uma tragédia familiar em Cubatão, na Baixada Santista, levanta questionamentos sobre o atendimento médico na rede pública. Matteo Lima Albertino, de apenas 2 anos, morreu no início desta semana após ter sido levado quatro vezes ao pronto-socorro municipal em um intervalo de poucos dias. A prefeitura informou que abriu uma sindicância para investigar o ocorrido.
Segundo a mãe, Laysa Lima Albertino, os sintomas começaram na noite de 26 de junho, quando o menino apresentou febre alta, acima de 39°C, que não cedia com medicação caseira. Preocupados, os pais o levaram ao pronto-socorro no dia seguinte. Na ocasião, uma médica diagnosticou irritação na garganta e prescreveu medicamentos, orientando a família a continuar o tratamento em casa.
No entanto, o quadro se agravou. Matteo passou a ter vômitos, diarreia e perda de apetite. A família retornou ao hospital no domingo (28/6). Um segundo médico atribuiu os sintomas a uma virose, mencionando que já havia atendido outros casos semelhantes naquele dia. A criança foi medicada novamente e liberada.
Na segunda-feira (29/6), diante da piora, os pais buscaram atendimento pela terceira vez. Dessa vez, foi identificado um abscesso na região anal, mas o tratamento prescrito foi apenas uma pomada. A família relata que o menino estava cada vez mais abatido e sonolento.
Somente no quarto atendimento, ainda na segunda-feira, foram solicitados exames de sangue. Matteo foi internado e, durante a observação, deixou de urinar e respondia pouco aos estímulos. Os médicos então começaram a buscar uma vaga em UTI pediátrica em outro município, já que Cubatão, com mais de 100 mil habitantes, conta com apenas dois leitos de UTI pediátrica no Hospital Municipal.
Apesar dos esforços, Matteo não resistiu e morreu. A família, que afirma ter confiado nos médicos durante todo o processo, agora questiona por que não foram feitos exames mais cedo. "Se eles falavam que era uma virose, a gente acreditava. Eu não sou médica, sou mãe", desabafou Laysa.
A Prefeitura de Cubatão confirmou a abertura de sindicância para apurar a conduta dos profissionais envolvidos. O caso também deve ser analisado pelos órgãos de controle, como o Conselho Regional de Medicina (CRM).
A morte de Matteo reacende o debate sobre a superlotação e a falta de recursos nas unidades de saúde da região, especialmente no que diz respeito à pediatria. A família aguarda respostas e pede que a investigação seja rigorosa para evitar que tragédias como essa se repitam.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/bebe-de-2-anos-morre-apos-4-consultas-e-familia-questiona-acao-medica


