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Ribeirão Preto

Meninas de 2 anos unidas pela cabeça morrem após cirurgia de separação em Ribeirão Preto

Heloísa e Helena, de 2 anos, morreram após cerca de 15 horas de procedimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Elas passaram por cinco cirurgias desde o nascimento.

As gêmeas siamesas Heloísa e Helena nasceram unidas pela cabeça. Elas são acompanhadas pelo Hospital de Ribeirão Preto, no interior de SP. Material cedido ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
17 de agosto de 202611:35
Atualizado agora há pouco às 14:35

As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos, que nasceram unidas pela cabeça, morreram na noite do último sábado (15/8) após passarem pela cirurgia final de separação no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP USP). O procedimento, que durou cerca de 15 horas, envolveu mais de 50 profissionais da equipe médica e era considerado a etapa decisiva para a separação completa das irmãs.

De acordo com o hospital, as crianças não resistiram às complicações do pós-operatório. A equipe médica informou que o óbito ocorreu após o término da cirurgia, mas não detalhou as causas específicas. Os corpos foram levados para São José dos Campos, cidade natal da família, onde o sepultamento ocorreu no domingo (16/8). A prefeitura local arcou com os custos do funeral.

Heloísa e Helena nasceram em 2024 unidas pela cabeça, condição conhecida como craniópagos. O caso é raro, com incidência de 1 para cada 2,5 milhões de nascimentos. Desde o nascimento, as meninas foram acompanhadas pelo HCFMRPUSP, que é referência nacional no tratamento desse tipo de malformação.

O plano de tratamento previa cinco cirurgias espaçadas de dois a três meses. Em cada etapa, uma janela óssea de um quarto do crânio era aberta para acesso e separação dos vasos sanguíneos. Após o procedimento, a janela era fechada e aguardava-se a recuperação cerebral antes da próxima intervenção. O processo se repetiria até que os cérebros ficassem anatomicamente independentes.

A última cirurgia antes da separação definitiva havia sido realizada em março deste ano, para instalação de bolsas expansoras de pele pela equipe de cirurgia plástica, com duração de cerca de seis horas. O caso era conduzido pelas equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do HC.

O tratamento, considerado de alto custo, foi bancado integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem nenhum custo à família. O hospital já havia realizado com sucesso a separação de outros dois casos de craniópagos anteriormente.

A notícia repercutiu nas redes sociais, com mensagens de pesar de familiares e amigos. A família não se pronunciou publicamente até o momento. A prefeitura de São José dos Campos também não divulgou detalhes sobre o sepultamento.

Casos de gêmeos siameses craniópagos são extremamente raros e exigem equipe multidisciplinar altamente especializada. A separação envolve riscos significativos, como hemorragias e danos neurológicos, e nem sempre é bem-sucedida.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que, apesar do desfecho trágico, o trabalho do HCFMRPUSP representa um avanço na medicina brasileira. A instituição segue como referência para futuros casos semelhantes, e o conhecimento adquirido pode auxiliar em novas tentativas de separação.

A morte das meninas gerou comoção em Ribeirão Preto e em São José dos Campos, onde a família residia. Até o fechamento desta matéria, não havia informações sobre homenagens ou cerimônias públicas em memória das crianças.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/gemeas-siamesas-morrem-separacao

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