O pai das gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos, que morreram após a cirurgia final de separação, agradeceu o acolhimento da equipe médica e afirmou que não encara o desfecho como uma derrota. As meninas nasceram unidas pela cabeça e passaram por procedimentos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Em vídeo enviado aos profissionais, Amarildo Batista da Silva destacou a dedicação dos médicos e pediu que mantenham a força e a fé. «Eu queria que vocês, doutores, continuassem com a força e a fé que vocês têm. Cada criança que vocês perdem é uma derrota, cada criança que vocês conseguem salvar é uma vitória», declarou.
Amarildo ressaltou que as vitórias superam as derrotas e que o trabalho da equipe não pode ser medido apenas pelos resultados individuais. «Eu tenho certeza que vocês têm muito mais vitórias do que derrotas, isso não se torna derrota», completou.
De acordo com o hospital, as crianças morreram após cerca de 15 horas de cirurgia, que envolveu mais de 50 profissionais. O procedimento era considerado a etapa final de separação, depois de as gêmeas terem passado por outros quatro procedimentos cirúrgicos.
A cirurgia deste fim de semana era a quinta e última prevista pela equipe para a separação completa. Em cada etapa, uma janela óssea de um quarto do crânio era aberta para acesso ao cérebro. A última cirurgia anterior, realizada em março, foi para instalação de bolsas expansoras de pele e durou cerca de 6 horas.
O caso é considerado raro, com incidência de 1 para cada 2,5 milhões de nascimentos. Heloísa e Helena nasceram em 2024 unidas pela cabeça, condição conhecida como craniópagos, e eram acompanhadas pelo HC desde o nascimento.
Os corpos das gêmeas foram sepultados no último domingo (16/8) em São José dos Campos, cidade natal da família. A Prefeitura local arcou com os custos do funeral.
A equipe médica do HC de Ribeirão Preto, formada pelas áreas de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica, conduziu o caso com acompanhamento multidisciplinar. A morte das meninas gerou comoção e repercutiu em todo o país.
Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que a separação de gêmeas craniópagas é um dos procedimentos mais complexos da medicina, exigindo planejamento detalhado e equipe altamente treinada. Apesar do desfecho trágico, o caso contribui para o avanço do conhecimento científico na área.
A família, que preferiu não dar mais detalhes sobre o velório, agradeceu o apoio recebido e pediu privacidade neste momento de luto. A prefeitura de São José dos Campos também se solidarizou com os pais, prestando assistência necessária.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pai-siamesas-cirurgia-separacao

