UrgentePF aponta uso de funcionários terceirizados para envio de cocaína em voos no Aeroporto de Guarulhos
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Guarulhos

PF aponta uso de funcionários terceirizados para envio de cocaína em voos no Aeroporto de Guarulhos

Investigação da Polícia Federal revela que trabalhadores terceirizados de empresas que atuam no Aeroporto de Guarulhos facilitavam o embarque de cocaína em voos comerciais para África e Europa.

Cocaína na bagagem: como terceirizados traficam droga em aeroportoFoto: Otavio Augusto/Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
8 de outubro de 202603:15
Atualizado agora há pouco às 06:15

Uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) no Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, revelou como funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços no local são utilizados por quadrilhas para o envio de cocaína ao exterior. A ação, batizada de Operação Elenco e Cross Targets, foi realizada em 7 de outubro e resultou na prisão de doze pessoas, sendo nove delas trabalhadores terceirizados.

De acordo com a investigação, esses funcionários têm acesso a áreas restritas do aeroporto, o que permite que a droga seja inserida em bagagens e colocada diretamente em aeronaves comerciais, sem passar pela inspeção convencional. A principal estratégia identificada é a cooptação de trabalhadores que, uma vez dentro do setor controlado, recebem a bagagem com entorpecentes e a acomodam no avião.

O delegado Julio Cesar Baida Filho, chefe da delegacia da Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, explicou que os métodos variam. «Pode ser desde um corte na cerca perimetral, com um funcionário indo buscar essa droga para trazer para a aeronave, ou pode ocorrer uma troca de etiqueta. Também pode ser por meio de um canal de inspeção que esse funcionário consiga burlar, por exemplo, por meio do uso de latas de lixo, que são inspecionadas visualmente», afirmou.

O esquema tem como destino principal países da África e da Europa, mas a cocaína também segue para mercados consumidores na Ásia e na Austrália. Segundo o delegado, quanto mais distante o destino final, maior o valor de revenda da droga. «Quanto mais ela avança no sentido transatlântico, maior é o valor que ela tem de revenda», destacou Baida Filho.

A cocaína é produzida em países andinos, como Bolívia, Colômbia e Peru, e o Brasil serve como território de passagem. A substância entra no país pela fronteira terrestre e é escoada para outros continentes por meio de portos marítimos e aeroportos. No caso de Guarulhos, o aeródromo é apontado como o mais relevante para esse tipo de tráfego. «O aeroporto de Guarulhos, sendo de longe o maior aeroporto do Brasil, com quase 60 destinos internacionais, acaba sendo o mais utilizado para conseguir viabilizar esse tráfego», apontou o delegado.

As investigações indicam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) é o principal coordenador desse fluxo de cocaína, que vai da fronteira terrestre à marítima. No entanto, nem todos os grupos criminosos que utilizam a mesma rota têm necessariamente ligação com a facção, conforme ressaltou a PF.

A operação cumpriu mandados contra suspeitos de envolvimento no esquema. Ao todo, doze pessoas foram presas, entre elas nove funcionários terceirizados, e a investigação segue para apurar a extensão da participação de cada um e possíveis ramificações da quadrilha.

O caso evidencia a vulnerabilidade das áreas restritas do maior aeroporto do país e a necessidade de reforço nos controles de acesso. A Polícia Federal não informou detalhes sobre a identidade dos presos nem sobre as empresas envolvidas, uma vez que o inquérito corre sob sigilo.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cocaina-bagagem-aeroporto

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