A Polícia Militar de São Paulo tem resistido a divulgar informações técnicas de duas viaturas usadas em uma abordagem ocorrida em Cândido Mota, no interior do estado, em dezembro do ano passado. O caso ganhou repercussão após um vídeo mostrar dois agentes do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) agredindo um jovem de 24 anos, Gustavo Sabino de Oliveira Silva, suspeito de tráfico de drogas.
A defesa de Gustavo afirma que, sem os dados das viaturas, é impossível reconstituir a dinâmica dos fatos. Como os policiais não usavam câmeras corporais, os registros de GPS e os relatórios do Centro de Operações da PM seriam essenciais para esclarecer o que aconteceu durante a perseguição e a abordagem.
Em maio, a Justiça atendeu a um pedido da defesa e determinou que a PM enviasse os dados técnicos. No entanto, o batalhão encaminhou apenas relatórios de itinerário de três dos oito policiais envolvidos, deixando de fora os demais e os extratos de GPS das viaturas. A defesa classificou a resposta como insuficiente.
Um novo ofício foi expedido em julho, e a PM apresentou documentos complementares, mas ainda sem os dados de localização dos veículos. O único relatório com georreferenciamento pertence a um policial que não consta como integrante das viaturas envolvidas, e o registro de um dos carros tem uma lacuna de cerca de três horas, exatamente no período da ocorrência.
Os advogados de Gustavo destacam que o terminal portátil de dados com registros de georreferenciamento estava nas imediações do local minutos antes do início da ação, mas cessou os registros justamente na janela temporal dos fatos. Para eles, essa omissão compromete a elucidação do caso.
A defesa agora acionou o Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC) da Polícia Militar para obter os dados completos. O Ministério Público de São Paulo já se manifestou favoravelmente ao acesso às informações, e a Justiça reiterou a determinação.
Gustavo foi preso em flagrante sob acusação de tráfico de drogas, mas teve a prisão preventiva revogada em abril. A Secretaria da Segurança Pública informou, na época, que os policiais viraram alvo de investigação interna. A reportagem procurou a SSP para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação.
A situação levanta questionamentos sobre a transparência da atuação policial e a efetividade das decisões judiciais. A ausência de câmeras corporais e a falta de dados precisos dificultam a apuração de denúncias de abuso de autoridade. O caso segue em análise, e a defesa espera que as informações sejam finalmente disponibilizadas.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-oculta-dados-abordagem-agressao

