O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas e de Uberlândia, em conjunto com o 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep), deflagrou nesta quarta-feira (7/10) a terceira fase da Operação Trevo Infortúnio. A ação tem como foco um fornecedor de máquinas caça-níqueis que reside em Campinas, no interior de São Paulo.
As equipes cumprem três ordens judiciais de busca e apreensão contra o investigado, apontado como um dos principais fornecedores de equipamentos para jogos de azar no país. Os mandados foram expedidos pela Justiça de Minas Gerais e são cumpridos nos bairros Jardim Boa Esperança e Parque Via Norte.
De acordo com as investigações, o alvo campineiro abastecia um grupo criminoso do Triângulo Mineiro que atua há cerca de 30 anos na exploração de jogos de azar, incluindo o jogo do bicho e caça-níqueis. A suspeita é de que esse grupo utilize os jogos para lavar dinheiro, com conexões em outros estados.
Os promotores identificaram que o fornecedor disponibilizava os equipamentos por meio de falsos contratos de locação e documentos fiscais irregulares. Relatórios também apontam pagamentos em dinheiro em espécie, cheques e movimentações por terceiros — mecanismo que dificulta a identificação da origem e do destino dos recursos.
Além de Minas Gerais, o investigado é suspeito de fornecer máquinas para grupos nos estados do Tocantins e de Goiás. A investigação busca esclarecer a extensão da rede de distribuição e a participação de outros envolvidos.
A Operação Trevo Infortúnio teve sua primeira fase deflagrada em 1º de dezembro de 2022. Na ocasião, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou cinco pessoas pelo esquema que, segundo as apurações, ocorre há três décadas em Uberlândia. Três delas firmaram acordos de colaboração premiada.
Durante a primeira fase, foram recuperados mais de R$ 27 milhões. Já na segunda etapa, iniciada em 20 de abril de 2023, foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão contra empresas, pátios de veículos e empresários de Uberlândia, Ituiutaba, Araguari e Goiânia. Na época, a Justiça determinou o bloqueio de bens e patrimônio de 23 investigados, totalizando R$ 36 milhões.
O nome da operação faz referência a um dos símbolos encontrados nos pontos de apostas administrados pelo grupo criminoso. As autoridades seguem com as diligências para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira.
Até o momento, não há informações sobre prisões ou sobre a conclusão das investigações. O espaço permanece aberto para manifestações das defesas dos citados.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fornecedor-de-caca-niqueis-em-sp-e-alvo-de-operacao-contra-jogos-de-azar

