O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, enfrenta impactos operacionais pelo segundo dia consecutivo devido à paralisação de caminhoneiros. Nesta terça-feira (14), seis dos 36 navios atracados estavam inoperantes, e outro apresentava atraso nas atividades, segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS).
Apesar da redução no fluxo de veículos nas vias portuárias, a APS informou que não há bloqueios no tráfego. No entanto, a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Cesportos/SP) elevou o nível de segurança durante a tarde, após relatos de atos isolados de vandalismo desde o início do protesto.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra confronto entre manifestantes e policiais militares na Alemoa, principal acesso ao porto. Nas imagens, é possível ver um homem trocando socos com PMs e agentes apontando armas para os populares. A situação acendeu alerta para a escalada de tensão na região.
Na segunda-feira (13), primeiro dia da paralisação, cerca de 70 manifestantes se reuniram pacificamente na Rua Augusta Scaraboto, em Santos, para pressionar pela votação da Medida Provisória do Frete no Senado Federal, que ocorreu nesta terça. A MP sofreu mudanças redacionais, incluindo a supressão do valor de R$ 5 mil como piso salarial de transportadores celetistas, que deverá ser definido posteriormente por regulamentação.
O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista (SINDICAM-Santos) afirmou que não há previsão para encerrar a paralisação. Em nota, a entidade justificou que os objetivos que motivaram o movimento ainda não foram alcançados e que a mobilização é legítima e pacífica, em defesa dos direitos da categoria.
"Nossa mobilização é legítima, pacífica e tem como finalidade a defesa dos direitos da categoria, que há muito tempo vêm sendo reivindicados e, infelizmente, não têm sido plenamente atendidos", disse o sindicato em comunicado. A entidade reforçou o compromisso com o diálogo e espera que as negociações avancem para uma solução justa.
A paralisação dos caminhoneiros ocorre em um momento de pressão sobre o governo federal e o Congresso Nacional. A categoria reivindica melhores condições de trabalho e remuneração, especialmente no transporte de cargas. O Porto de Santos, que movimenta cerca de 30% de todo o comércio exterior brasileiro, pode sofrer impactos mais severos caso o movimento se prolongue.
Na segunda-feira, a APS havia informado que as operações portuárias ocorriam normalmente, sem registro de impactos no trânsito. Contudo, a situação se agravou no segundo dia, com a redução do fluxo de caminhões e os episódios de vandalismo e confronto.
O governo federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) após a ameaça de paralisação, e o Senado foi pressionado a analisar a MP do Frete. A votação da medida, ocorrida nesta terça, é vista como um passo importante para atender às demandas dos transportadores, mas o sindicato ainda não considera suficiente para encerrar o movimento.
A orientação para motoristas e empresas que dependem do Porto de Santos é buscar rotas alternativas e acompanhar as atualizações das autoridades portuárias e de segurança. A expectativa é de que as negociações avancem nos próximos dias para evitar prejuízos maiores à economia local e nacional.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/paralisacao-de-caminhoneiros-afeta-operacao-no-porto-de-santos


