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São Paulo

Funkeiro MC Negão Original é preso suspeito de integrar quadrilha de golpes digitais

MC Negão Original, funkeiro com milhões de seguidores, foi preso no interior de São Paulo suspeito de participar de esquema que lavou R$ 100 milhões com fraudes como golpe do INSS e clonagem de Pix.

Foto: Reprodução/Instagram

Raphael Nogueira Felix
25 de junho de 202614:48
Atualizado agora há pouco às 17:48

O funkeiro João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, foi preso na manhã desta quinta-feira (25/6) no interior de São Paulo. Ele estava foragido desde fevereiro, quando se tornou alvo da Operação Fim de Fábula, deflagrada pela Polícia Civil contra uma organização criminosa especializada em golpes digitais.

De acordo com as investigações, o artista integrava o grupo criminoso que aplicava fraudes como o golpe do INSS, golpe do falso advogado e golpe da mão fantasma. Os criminosos também clonavam chaves Pix das vítimas e utilizavam sites de apostas on-line e fintechs para movimentar os valores obtidos ilegalmente.

MC Negão Original, que acumula mais de 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify e milhões de seguidores nas redes sociais, ostentava luxo e dinheiro em suas publicações. Seu álbum 'A Nata de Tudo – A Ovelha Negra' chegou ao topo do ranking global de estreias do Spotify.

O funkeiro foi capturado na região oeste do estado e encaminhado à sede da Divisão de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE). Segundo a Polícia Civil, ele divulgava uma plataforma de apostas on-line em que a casa sempre vencia, induzindo fãs a apostar para abastecer o esquema criminoso.

Um imóvel em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, onde o cantor morou, foi apontado como estrutura central das fraudes. No local, foram apreendidos notebooks, celulares e documentos relacionados às atividades ilícitas. A engrenagem golpista teria lavado aproximadamente R$ 100 milhões obtidos com fraudes em todo o país.

A Operação Fim de Fábula, coordenada pelo Departamento de Investigações Criminais (Deic) em parceria com o Ministério Público de São Paulo, cumpriu 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão temporária. Também foi determinado o bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados.

O Ministério Público identificou ao menos 36 imóveis ligados ao grupo, além de centenas de veículos e embarcações, muitos registrados em nomes de laranjas ou empresas fictícias. Cerca de 400 policiais civis e promotores participaram da operação.

Em entrevista ao Metrópoles em 2025, MC Negão Original havia dito que sua trajetória era 'irônica', por ter passado pelo crime, pela igreja e pelo funk. Ele afirmou ter se convertido após uma experiência marcante com a fé e decidido seguir um caminho melhor, mas as investigações apontam sua participação no esquema criminoso.

A prisão do funkeiro reforça o combate a golpes digitais em larga escala, que têm lesado milhares de vítimas em todo o Brasil. A polícia segue investigando outros envolvidos e a possível destinação dos recursos obtidos ilegalmente.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/quem-mc-negao-original-preso-suspeito

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