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São Paulo

MPSP aponta que empresa Transunião usou dinheiro do PCC para vencer licitação em SP

Investigação do Ministério Público de São Paulo revela que a Transunião, suspeita de lavar dinheiro para o PCC, teria recebido aportes financeiros da facção para aumentar seu capital social e vencer licitação do transporte público na capital paulista.

Foto: Divulgação/Transunião

Raphael Nogueira Felix
25 de junho de 202614:29
Atualizado agora há pouco às 17:29

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou nesta quinta-feira (25) a operação Última Parada, que investiga o envolvimento da empresa de ônibus Transunião com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as apurações, a companhia teria utilizado recursos da facção criminosa para vencer a licitação que lhe garantiu o direito de operar linhas de transporte público na cidade de São Paulo.

De acordo com o MPSP, entre 2015 e 2019, a Transunião passou por alterações societárias que elevaram seu capital social de R$ 100 mil para R$ 50 milhões. O objetivo seria atender às exigências do certame. O promotor Danilo Pugliesi, responsável pela investigação, afirmou que pessoas ligadas ao PCC realizaram aportes financeiros para aumentar o patrimônio da empresa.

“Na integralização de capital que essas empresas declararam para participar da licitação de transporte público, houve a entrada formal de dinheiro de origem ilícita, não declarada, através de pessoas que não tinham lastro para isso”, declarou Pugliesi durante coletiva de imprensa. O promotor destacou que o mesmo método já havia sido identificado em outras empresas do setor, como UpBus e Transwolff, alvos da operação Fim da Linha em abril de 2024.

As investigações tiveram como ponto de partida o assassinato de Adauto Soares Jorge, morto a tiros em uma padaria na zona leste de São Paulo, em março de 2020. As apurações indicaram que Adauto atuava como laranja do vereador Senival Moura (PT) dentro da Transunião. O parlamentar foi preso nesta quinta-feira, suspeito de envolvimento no esquema.

Segundo o MPSP, Adauto teria desviado valores da Transunião para financiar um caixa dois da campanha de reeleição de Senival em 2020, o que teria motivado a facção a ordenar sua execução por meio do chamado “tribunal do crime”. O operador Leonel Martins teria sido o responsável por dar a ordem. Já Senival teria sido perdoado pelo PCC após ressarcir os valores desviados.

Na operação Última Parada, além de Senival Moura, outros suspeitos foram alvos de mandados de prisão. A Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas da Transunião e da Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda, apontada como núcleo de lavagem de dinheiro em benefício do PCC. Também foi decretado o sequestro e bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias, além de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira, afirmou que os crimes envolvendo a Transunião já eram investigados desde a operação Fim da Linha, mas faltavam elementos para incluir a empresa naquela fase. Com o avanço das apurações, foi possível reunir provas como quebras de sigilo bancário, análises telemáticas e conversas obtidas em pendrives.

A Prefeitura de São Paulo, que já havia intervido na gestão das empresas UpBus e Transwolff, agora acompanha os desdobramentos do caso. A Transunião é responsável por linhas de ônibus na capital, e a suspensão de suas atividades pode impactar o transporte público na região.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/dinheiro-pcc-transuniao-licitacao

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