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São Paulo

Em delação, corretor morto em Guarulhos detalhou suposta extorsão de policiais civis

Antônio Vinícius Gritzbach, morto em novembro de 2024, contou ao Gaeco que delegado e investigador pediram R$ 30 milhões para não incriminá-lo.

Foto: Reprodução/MPSP

Raphael Nogueira Felix
28 de junho de 202602:28
Atualizado agora há pouco às 05:28

Quatro meses antes de ser executado a tiros no Aeroporto de Guarulhos, o corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach prestou depoimento ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) relatando uma suposta tentativa de extorsão praticada por agentes públicos. O vídeo da audiência, ocorrida em julho de 2024, foi obtido com exclusividade pelo Metrópoles.

Gritzbach, acusado de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), firmou um acordo de colaboração premiada homologado pela Justiça em abril do ano passado. Durante a oitiva, ele apresentou documentos, áudios e relatos para embasar as denúncias contra policiais civis.

No depoimento, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) questionaram se Gritzbach havia recebido pedido de propina de integrantes da investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) sobre as mortes de dois membros do PCC. O corretor apontou diretamente o delegado Fábio Baena e o chefe dos investigadores Eduardo Monteiro.

Segundo Gritzbach, durante sua prisão temporária em fevereiro de 2022, ele foi levado à sala do delegado Baena, que teria indicado o advogado Ivelson Saloto. O corretor afirmou que os policiais pediram R$ 30 milhões para não o incriminar pela posse de um pendrive com dados sobre o PCC. Ele negou ter o dispositivo e o dinheiro.

Além da propina, Gritzbach denunciou que policiais se apropriaram de bens seus, como um sítio em Biritiba Mirim, avaliado em R$ 1,5 milhão, e relógios de luxo. Ele disse que o contrato do imóvel foi apreendido em uma busca, mas não foi oficialmente relacionado ao inquérito. Também afirmou que 14 relógios foram levados na prisão, mas apenas dez foram devolvidos.

O delator entregou ao Gaeco um áudio em que o investigador Eduardo Monteiro supostamente fala sobre a comercialização do sítio, intermediada pelo policial Rogério de Almeida Felício. Gritzbach argumentou que a situação configurava extorsão contra ele, e não apenas contra o titular formal da propriedade.

Fábio Baena e Eduardo Monteiro foram presos em dezembro de 2024, um mês após a morte de Gritzbach. O corretor foi fuzilado no desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro, diante de dezenas de testemunhas. O caso segue sob investigação.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/gritzbach-conta-como-policiais-civis-tentaram-extorquir-r-30-milhoes

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